O Aquecimento da Terra (Jornal do Commercio de 22 de maio de 2012)

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Antonio Oliveira Santos

Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo

O intenso debate sobre o clima da Terra, com vistas à reunião de cúpula da ONU Rio + 20, a ser realizada no Rio de Janeiro, em junho deste ano, merece algumas considerações.

Em primeiro lugar, é importante registrar que o aquecimento da atmosfera terrestre é um assunto ainda não totalmente esclarecido nos meios científicos, embora se saiba, sem dúvidas, que a Terra tem duas fontes de calor: o calor produzido em seu interior, que chega à superfície com pouca intensidade, e o calor mais relevante que vem do Sol.

Os raios do Sol atravessam o espaço sideral sem aquecê-lo, assim como passam pela atmosfera terrestre sem, praticamente, serem absorvidos e produzirem seu aquecimento. O calor é produzido quando os raios do Sol são absorvidos pela superfície da Terra, continentes e oceanos, aquecendo-a como uma “chapa quente”. A superfície, então, emite raios infravermelhos (IV), que aquecem o ar que está em contato com ela; o ar aquecido se torna mais leve e sobe, distribuindo calor, que vai se reduzindo à medida que aumenta a altitude. Nas altas altitudes, a temperatura chega de 50 a 70 graus negativos.

A ideia de um “efeito estufa” surgiu com os trabalhos de Fourier (1824), Tyndall (1861) e Arrhenius (1896). A partir de 1980, foi retomada pela Universidade de East Anglia (Inglaterra) e desenvolvida pelo Intergovernmental Panel on Climate Change, sob os auspícios e patrocínio da ONU/PNUMA. Em 1997, foi consagrada pelo Protocolo de Kyoto. A ideia consiste em afirmar que o aquecimento das camadas baixas da atmosfera ocorre em consequência do represamento da radiação IV emitida pela “chapa quente” da Terra. Esse represamento é feito principalmente pelas moléculas de gás carbônico (CO2) e de metano (CH4), que absorveriam os raios IV, impedindo que eles escapem para o espaço exterior. Daí o nome “efeito estufa”.

Essa “teoria” tem sido negada por um grande número de cientistas, baseados no raciocínio de que não é possível atribuir esse poder ao gás carbônico pelo simples fato de sua participação na composição da atmosfera não ir além de 390ppm, ou seja, 0,039%. Para cada molécula de CO2, existem cerca de 2.600 moléculas de outros gases, como nitrogênio e oxigênio. Esses dois gases somam 99% da massa de ar e são eles que se aquecem em contato com a superfície. Os raios IV, emitidos pela superfície e absorvidos pelo CO2 e CH4 teriam um papel tão pequeno no aquecimento do ar, que é impossível de ser medido com a tecnologia disponível atualmente. Em outras palavras, mesmo dobrando a concentração de CO2, ainda seu efeito seria imperceptível. Portanto, reduzir as emissões de CO2 seria inútil sob o ponto de vista de controle do clima. Assim, pensam, por exemplo, dois dos maiores climatologistas brasileiros: os professores José Carlos Azevedo, Físico nuclear pelo MIT (já falecido) e Luiz Carlos Molion, PhD em Meteorologia pela Universidade de Wisconsin (USA), atualmente professor da Universidade Federal de Alagoas.

Na reunião Rio 1992, foi aprovada uma Convenção do Clima respaldando a imprecisa tese do IPCC, da qual resultou o Protocolo de Kyoto, em 1997, impondo limites de emissão dos GEE aos países desenvolvidos. A partir daí, a questão ambiental transmudou-se em questão financeira, com a programação de um mercado de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), baseada na comercialização – ainda não regulamentada – dos certificados de carbono. A questão financeira ganhou espaço nas reuniões ambientais posteriores e, ao que tudo indica, um dos destaques da Cúpula Rio + 20 será a constituição de um Fundo Verde, da ordem de US$ 100 bilhões anuais e a criação de uma agência internacional especializada, em substituição ao atual PNUMA, a exemplo das Organizações Mundiais da Saúde (OMS), do Comércio (OMC), do Trabalho (OIT) e da Meteorologia (OMM), certamente com o objetivo de “administrar” o Fundo Verde.

Segundo o Boletim Alerta Científico e Ambiental (12/4/2012), uma carta assinada por 7 ex-astronautas e cerca de 40 cientistas da NASA exige que os Estados Unidos retirem seu apoio à tese do aquecimento global antropogênico, divulgada pelo IPCC, e promovam estudo científico aprofundado isento de tendenciosidades. Em outro estudo, uma equipe de cientistas do Centro Europeu CEREGE concluiu que, nos últimos 12 mil anos antes da Revolução Industrial, as variações nos níveis do mar já foram muito maiores, o que não se pode atribuir ao uso dos combustíveis fósseis atuais.

A Reunião Rio + 20 será uma grande oportunidade para lançar um pouco mais de luz sobre esse tema trágico e ameaçador, que poderá representar um desnecessário atraso no ritmo de desenvolvimento mundial, principalmente dos países mais pobres.

 

Jornal do Commércio, 22 de maio de 2012

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