A Conjuntura Econômica de 2016

Antonio Oliveira Santos, presidente da CNC

Crédito: Ascom CNC

Antonio Oliveira Santos, presidente da CNC

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A atual recessão econômica teve início, praticamente, em 2014, quando o PIB nacional registrou crescimento quase nulo, 0,5%. A partir daí, a crise aprofundou-se: a atividade econômica caiu -3,8% em 2015 e - 3,6% em 2016, com escassas possibilidades de início de recuperação em 2017.

A crise é abrangente e, de um modo geral, atingiu todos os setores, com maior peso sobre a indústria. Em 2014, as atividades industriais recuaram 1,5%, em 2015 6,3% e em 2016 estimava-se queda de 3,8%. O fato negativo mais notável foi a redução acentuada da formação bruta de capital fixo (FBCF), ou seja, os investimentos, que vêm registrando quedas sucessivas desde 2012, para chegar a uma retração de 10,2% em 2016.

A agricultura tem sido o setor menos afetado, devido à válvula de escape das exportações dos produtos agropecuários, beneficiados pela China. Segundo o IBGE teremos uma safra recorde em 2017, com alta de 21,8% sobre a safra anterior.

Na área externa, registramos o fato positivo e inédito de um superávit de US$47,68 bilhões na balança comercial, derivado de um pequeno decréscimo das exportações (-3,1%) e uma queda espetacular de 19,77% das importações.

Durante vários anos o setor comércio/serviços teve um excelente comportamento, com crescimento de 2,2% em 2014. Entretanto, em 2016, a crise nacional atingiu também o comércio, que sofreu uma queda de vendas de 6,2%, com fechamento de 108,7mil lojas.

Nesse contexto, a inflação apresentou uma nítida tendência de declínio em 2016, com alta de apenas 6,29% no IPCA e 7,17% no IGP-M.

Lamentável foi a retração do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego chegando a 11,3% em 2016 e o número de desempregados atingindo 12 milhões de trabalhadores. Segundo o IBGE, o índice de desemprego em fevereiro deste ano chegou a 13,2%. Esse é o aspecto social da crise, o mais doloroso e preocupante.

Estatisticamente, é fácil verificar que a atual crise fiscal da União, dos Estados e Municípios decorre do fato em que o Governo, sistematicamente, vem gastando mais do que arrecada. Esse Governo obeso é o resultado claro do excesso do quadro de pessoal e dos altos salários obtidos pela pressão das diversas corporações, com apoio político.

O Governo da União vem enfrentando esse problema com o crescente endividamento público que, de 57% do PIB em 2014, caminha hoje para 80%. Essa manobra conta com a participação do Banco Central, através das “operações compromissadas”.

Os Estados e Municípios também se endividaram ao extremo e atualmente não podem mais se endividar, face às limitações da Lei de Responsabilidade Fiscal. Por isso, muitos chegaram à insolvência, com todas suas desastrosas consequências.

A nosso ver, feito o diagnóstico das crises, não há como fugir de soluções igualmente dramáticas, a começar pela aprovação da Reforma da Previdência Social, como foi sugerido em proposta do Presidente Temer ao Congresso Nacional. Isso é válido tanto para a União, como para os Estados e Municípios.

Essas sugestões podem parecer duras e cruéis, mas é fácil perceber como são indispensáveis.

A assunção do Governo Temer em maio de 2016, interinamente, e efetivo a partir de agosto, mudou as expectativas econômicas, como se pode constatar pelo índices de confiança dos empresários, especialmente na indústria e no comércio. As medidas já adotadas pelo novo Governo, com relevante apoio do Congresso Nacional, abre uma perspectiva de recuperação econômica a partir de 2017. O empresariado do comércio deposita firme confiança no sucesso do Governo Temer.

 

Correio Braziliense de 18 de abril de 2017

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