Em busca do PIB perdido

Antonio Oliveira Santos, presidente da CNC

Crédito: Ascom CNC

Antonio Oliveira Santos, presidente da CNC

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O ano de 2018 inicia-se com a formação de expectativas que apontam para a melhoria do nível do Produto Interno Bruto (PIB) construído pela capacidade de produção de nosso país. O PIB é um conceito proposto pelo Prêmio Nobel Simon Kusnetz como sendo o somatório líquido dos bens e serviços produzidos em dado país, em determinado período de tempo. O PIB transforma-se, em sua variação anual, numa medida dos avanços ou recuos de uma dada economia nacional.

A “Nova Matriz Econômica”, de triste memória, foi abandonada. As atuais expectativas fundamentam-se num quadro favorável da economia internacional, dotado de ampla liquidez, num aumento do nível de confiança do empresariado (94,9), valor não alcançado desde abril de 2014, e nas projeções de crescimento do PIB que confluem para a taxa de 3% no decurso deste ano.

Em condições normais, ou seja, num período de contínuo crescimento econômico, uma taxa dessa ordem seria considerada bem razoável como síntese do desempenho da Economia. Contudo, a taxa prevista tem como ponto de partida a severa recessão que ainda assombra o país, com seus doze milhões de desempregados. Se a força-de-trabalho existente está em grande parte ociosa, naturalmente máquinas e instalações de todo tipo também estão, em consequência, subutilizadas.

Como resultado dessa ampla margem não utilizada dos fatores de produção – capital e trabalho –, dentro de certos limites, é perfeitamente possível retomar o crescimento sem novos investimentos. Assim vista a conjuntura, a previsão de um crescimento do PIB da ordem de 3% mais do que prudente é até modesta.

Nessa expectativa de retomada de crescimento econômico, uma sinalização importante vem da parte da indústria automotiva. Sendo a linha de montagem o ponto final de uma longa cadeia de fornecedores de peças e outros materiais, a fabricação de veículos tem um efeito multiplicador sobre a economia como um todo.

E ainda, de um modo mais geral e mais amplo, importante impulso pode vir do lado do consumo, na medida em que a taxa de juros acentuada dos empréstimos bancários refletirem, em termos reais, a queda da taxa de inflação.

No entanto, a restrição a uma taxa de crescimento mais alentada em 2018 poderia advir do mau estado da infraestrutura econômica, eis que, na mente do governante, conservar não é investir, e da incerteza no quadro político, em que a marca da corrupção e o jogo de intrigas inerente à disputa de poder serão a nota dominante das eleições gerais de outubro.

Como a aferição do progresso econômico de uma Nação está refletida no PIB per capita, isto é, dividido seu total pelo número de habitantes, segue-se que a recuperação agora prevista representa, em verdade, a volta a um nível do PIB, em volume de bens e serviços, que já havia sido alcançado no passado. Assim sendo, a recuperação econômica em processo parte de uma situação de regresso. Trata-se, antes de tudo, de recuperar um nível de atividade econômica pré-existente.

Correio Braziliense de 03 de março de 2018

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