CBCGAL realiza videoconferência e discute o futuro do varejo

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05 A 06 ago 20
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Empresários traçam estratégias para enfrentar o atacarejo, e apostam nas vendas on-line.
Crédito
CNC

A Câmara Brasileira do Comércio de Gêneros Alimentícios (CBCGAL) reuniu-se por videoconferência, sob mediação do coordenador Álvaro Luiz Bruzadin Furtado, em 29/07. A reunião teve como objetivo o debate do cenário econômico em que o País se encontra e as perspectivas do varejo, de acordo com variáveis legislativas e jurídicas.

Também presente, o coordenador das câmaras do comércio, presidente da Fecomércio-RS e 2º vice-presidente da CNC, Luiz Carlos Bohn, ressaltou a importância do setor de varejo alimentício. “É muito importante fazer a distribuição adequada de logística para abastecer as famílias”, disse Bohn.

O convidado Olegário Araújo falou sobre as transformações da sociedade e seus impactos no varejo.

Segundo ele, o desafio é como montar um plano de ação para reagir. “É preciso assimilar as mudanças para acelerar a transformação. O varejo tem, no Brasil, 500 mil lojas. Dessas, 79 mil são de pequenos empresários, com mercados (lojas alimentares de autosserviço) de um até quatro caixas. E 53% de tudo que se vende é vendido pelo pequeno varejo.”


As transformações da sociedade

Olegário Araújo enfatizou que uma das mudanças que o varejo deve rever dirige-se às pessoas, que estão vivendo mais; mudar o relacionamento e ter novos hábitos para olhar as dificuldades do idoso. “O varejo deve se preparar para isso, para ver quem é seu cliente. A sociedade se transforma; na economia também existe uma mudança de venda de bens para de serviços. O consumidor está em busca de mais saúde, bem-estar e conveniência, ressaltou.

Para Araújo, uma nova estratégia deve partir de novas experiências, 80% de brasileiros querem novas experiências.

As pessoas buscam novas experiências quando vão aos mercados. Para atender a essa demanda, é preciso conhecer o cliente, capacitar e empoderar o funcionário, dar mais autonomia a ele.

O concorrente “atacarejo” hoje já faz parte da vida das pessoas, 55% dos brasileiros compram no “atacarejo”. Por outro lado, um ponto forte no varejo é oferecer produto fresco ao cliente.

O preço está 14% mais barato no “atacarejo”, comparado a mercados, mas a conveniência ainda está no menor mercado.

Olegário aponta o desafio do varejista a perceber as necessidades das pessoas por grupo demográfico (faixa etária) e classe social.

Mudanças - o desafio do progresso

O problema da inércia de mudanças é que boa parte do empresário trabalha fazendo cotações e pouco no chão de loja, interagindo com o cliente para conhecê-lo.

Sai na frente aquele que avaliar o que pode ser automatizado em termos de processo e especialmente integrar a loja física com a venda on-line, atendendo às necessidades das pessoas.

Como preservar o núcleo e estimular o progresso? “O empresário do varejo alimentício tem uma lição de casa: como ser mais eficiente, precificar corretamente e, acima de tudo, colocar o ser humano no centro, conhecer os clientes, ser digital, automatizar e entregar, cultura de dados”, analisou Araújo.

“O nosso papel é preparar as pessoas para lidar com nossos negócios. As pessoas olham de diferentes ângulos. É o olho do dono, na linha de frente, que vai fazer a diferença”, ressaltou.

Araújo aposta em um trabalho focado em pessoas. “O futuro é pensar nas pessoas. A inteligência emocional. Trabalhar isso. Se a gente não entende as pessoas, não entende o negócio. Devemos engajar a equipe, eliminar atritos e esforços desnecessários, conhecer clientes, dialogar”, afirmou.

Para satisfação do pequeno empresário, dados trazidos por Olegário Araújo demonstram que 53% do consumo familiar continua em minimercados e mercearias.

E-commerce no varejo

No contexto de isolamento, o e-commerce ganha novos compradores. A grande venda está no consumo on-line. Houve uma mudança de comportamento na compra do consumidor.

Da mesma forma, cresce no e-commerce a venda via celular: 41% têm usado o celular no Brasil inteiro para compras.

Olegário aposta no reimaginar o negócio, com ajuda da tecnologia, além da atenção às pessoas.

“Temos quatro gerações fazendo compras nas lojas. Cada geração tem seus valores e expectativas. A geração Z, que nasceu entre 1995 e 2010, tem expectativa se valores diferentes das pessoas que nasceram entre 1940 e 1959. Não podemos tratá-las de forma idêntica porque há um risco de frustrar ambos os grupos. É importante revermos o que fazemos e como fazemos”, ressaltou.

Análise econômica

O economista da CNC Fabio Bentes apresentou análises do cenário econômico e varejo de alimentos pós-pandemia.

O auge das perdas ocorridas no comércio foi no mês de abril. No Turismo, em abril, mais de R$ 34 bilhões em perdas. Em julho, a realidade de perdas chegou a R$ 268 bilhões. Os setores considerados não essenciais tiveram perdas muito maiores na pandemia.

Contudo, o varejo avançou cerca de 39% em abril, em comparação com o mesmo período do ano passando. Em junho, houve emissão de mais de 1 milhão de notas fiscais eletrônicas, o que demonstra o avanço do e-commerce, por conta do nível de isolamento social.

“O e-commerce vem ajudando a demanda de vendas, os hábitos de consumo e tendências. 79,9% de brasileiros aumentaram suas compras no varejo por conta da pandemia”, disse Bentes.

Por fim, Bentes afirmou: “26% das pessoas estão esperando inovações nos mercados de gêneros alimentícios. As mudanças chegaram para ficar. Pagamentos à distância. Pediu, chegou delivery; consumo local; alimentação saudável e exercício; e usuários mantendo pagamentos à distância”.


Linha de crédito especial

A Divisão de Relações Institucionais da CNC apresentou projetos de lei em acompanhamento legislativo e que têm posicionamento favorável da CNC.

Entre as proposições, a Medida Provisória (MPV) no 944/2020, que institui o Programa Emergencial de Suporte a Empregos, concede linha de crédito especial para pequenas e médias empresas pagarem a folha de salários durante a emergência decorrente do novo coronavírus.

Segundo a DRI, uma mudança importante, aprovada pelos parlamentares, foi o alongamento do prazo para contratar a linha. As empresas vão poder contratar o empréstimo até 31 de outubro. Pelo texto original, a linha expirava em 30 de junho.

“Ademais, os legisladores ampliaram a linha de crédito de R$ 10 milhões para R$ 50 milhões, e o teto de faturamento anual das empresas que podem contratar o dinheiro”, explicou o assessor da DRI Reiner Leite.

A próxima reunião da CBCGal está prevista para o dia 21 de outubro.