Crise gerada pela pandemia causou danos profundos a empresas do Pará

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Sebastião Campos revelou que, em reunião com o vice-presidente Hamilton Mourão, pediu nova prorrogação dos prazos de pagamento de tributos federais
Sebastião Campos revelou que, em reunião com o vice-presidente Hamilton Mourão, pediu nova prorrogação dos prazos de pagamento de tributos federais
Crédito
Fábio Louzada

15/07/2020

A crise gerada na economia pela pandemia do novo coronavírus causou um impacto muito grande no volume de vendas no segmento do comércio e serviços. Os prejuízos foram tão fortes, que muitos negócios não têm sequer condições de retornar ao mercado com a reabertura, sobretudo micro e pequenas empresas. A avaliação foi feita pelo presidente da Fecomércio Pará, Sebastião de Oliveira Campos, ao falar na live CNC Responde, transmitida em 13 de julho pelas redes sociais da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviço e Turismo.

A queda das vendas para empresas chegou a 30%. Segundo o dirigente, com a crise, muitas empresas tiveram sua receita reduzida, outras ficaram sem faturamento. Para evitar que a situação ficasse ainda pior, algumas empresas utilizaram o que é permitido pela MP nº 936/2020, como antecipar férias, reduzir carga horária com a equivalente redução salarial e suspender contrato de trabalho temporariamente.

“O problema é que, com o passar do tempo, foi ficando difícil sustentar colaboradores, em virtude da sensível queda de recursos em caixa ou mesmo sem eles para honrar obrigações, incluindo fornecedores. Para o empresariado, um problema adicional tem sido a dificuldade para acessar as linhas de crédito disponibilizadas pelo governo”, relatou.

Uma das mais delicadas consequências desse quadro foi a demissão de funcionários. Somente nos três primeiros meses da pandemia – até maio –, os empreendimentos de comércio e serviços desligaram 71% dos seus empregados, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia. Foram menos 10.247 profissionais.

Ações da Fecomércio

O presidente da Fecomércio-PA disse que a Diretoria tem estado envolvida em várias frentes, buscando medidas ou apoiando aquelas que amenizam o cotidiano das empresas. Ele citou o encontro com o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, quando ele esteve no Pará, em 8 de julho, para ouvir demandas do setor produtivo.

“Aproveitei a oportunidade para pleitear nova prorrogação dos prazos de pagamento de tributos federais. Pedi ainda o adiamento de dívida com o Programa de Recuperação Fiscal (Refis), criado para regularizar débitos das empresas relativos a tributos e contribuições”, revelou.

O dirigente solicitou ainda apoio e ampliação do Programa Investe Turismo no Pará para a melhoria dos serviços e atrativos turísticos, com foco especial nas micro e pequenas empresas. Além disso, reivindicou financiamento, com carência mínima de seis meses, para atender as empresas  do setor de turismo.

Aos governos estadual e municipais, foi pedida a postergação de pagamento e o prolongamento de parcelamento de débitos a vencer.

Retomada das atividades

Para uma retomada segura das atividades econômicas, o Governo Estadual  criou um sistema, estabelecendo critérios e uma classificação baseada em cores para determinar zonas de risco de contaminação pela covid-19 em oito regiões do Estado. O cálculo é feito sob duas variáveis: o índice de transmissão do vírus x capacidade de resposta do sistema de saúde de cada região, explicou Sebastião Campos.

Com isso, as autoridades sanitárias têm condições de avaliar com mais precisão o risco em cada região dos respectivos municípios. Têm, assim, parâmetros seguros para decidir onde restringir ou flexibilizar ações de distanciamento social e de retomada das atividades econômicas.

A situação da pandemia já foi muito preocupante, mas atualmente está em declínio. Até 10 de julho, o Pará registrou 124.939 casos, com 5.179 mortes. Desde maio, a média de óbitos caiu 40%.

O presidente da Fecomércio-PA destacou que, antes da retomada das atividades econômicas, houve intenso diálogo com as autoridades, em virtude da participação da Federação nos comitês de crise estadual e municipais, “inclusive com sugestão de protocolo  e recomendações sanitárias”.

Etapas

As medidas governamentais para conter a disseminação da covid-19 passaram a ser implantadas já na segunda quinzena de março. Ao longo do primeiro semestre, foram se tornando mais restritivas, incluindo o fechamento de shoppings e comércio de rua. Neste momento, segundo Campos, o Estado vive uma fase gradual de reabertura.

Ele citou o caso de Belém, onde já foram liberados o comércio de rua, shoppings centers, salões de beleza e restaurantes. Permanecem fechados bares, casas de shows e eventos, cinemas e teatros.

“Os horários estão limitados, mas os consumidores estão aos poucos retornando. As vendas, contudo, ainda estão fracas, assim como a confiança dos empresários na recuperação da economia.”

Reafirmando seu compromisso com os empresários e a sociedade, o Sistema Fecomércio-Sesc-Senac Pará colocou, desde o dia 5 de junho, uma equipe de profissionais de saúde para auxiliar a prevenção e o combate ao novo coronavírus. Eles visitam lojas, que são sanitizadas, orientando comerciários e clientes quanto à utilização de máscaras, distanciamento, higienização das mãos e superfícies com álcool 70% e demais prevenções necessárias ao combate à covid-19.

As entidades do Sistema produziram e entregaram 10.000 kits contendo álcool em gel 70%, cartilha orientadora e máscara para os funcionários das lojas do comércio de Belém. Em junho, foram visitadas cerca de 390 lojas, além de 66 vendedores informais.

Sesc

Na entrevista, o  presidente Sebastião Campos citou várias ações dos braços sociais do Sistema durante o período da pandemia. O programa Mesa Brasil é o carro-chefe da atuação do Sistema.

Neste momento, o Sesc está tocando a campanha Compra Solidária, parceria do Mesa Brasil com a rede de supermercados atacado-varejista Atacadão, que visa arrecadar doações para a parcela da população mais afetada pelos impactos econômicos da covid-19. Nas lojas do supermercado, o público encontra um ponto de coleta de alimentos não perecíveis, produtos de higiene e limpeza.

O programa também recebeu e distribuiu 3 mil panetones e 7.900 quilos de iogurte para instituições socioassistenciais que trabalham com famílias carentes. O Mesa Brasil Sesc Pará recebeu ainda do Banco Internacional de Alimentos recurso para a compra de 5 mil cestas básicas para distribuição a instituições cadastradas. Foram cerca de 252 mil pessoas assistidas pelo programa Mesa Brasil Sesc neste período.

Em apoio ao pessoal da área de saúde que está trabalhando na linha de frente, desde o início de maio, os restaurantes do Sesc estão produzindo e doando, de segunda a quinta-feira, almoço para os profissionais do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos, em Belém, que atende pacientes com sintomas de síndrome aguda respiratória relacionados à suspeita ou diagnóstico do novo coronavírus. Campos informou que as unidades do Sesc estão com suas portas fechadas, mas as clínicas odontológicas continuam funcionando para atender casos de urgência e emergência em todos os municípios onde a instituição atua. Da mesma forma, os alunos das escolas Sesc, que também estão fechadas, continuam assistindo a aulas on-line.

Senac

O Senac Pará também está com aulas remotas e atendimento por meio digital para turmas em andamento. A instituição está realizando o Projeto Aula Aberta, que consiste em uma série de lives pelo Instagram, em que a cada semana um instrutor apresenta um tema relevante.

Campos destacou que o  distanciamento social foi respeitado com a adesão ao trabalho remoto (home office), mantendo o emprego dos colaboradores. Mas a quarentena não parou o processo de aperfeiçoamento das equipes da instituição. Estão sendo promovidos 36 cursos on-line disponíveis na plataforma nacional Transparência e Unicidade Senac.

O atendimento ao público está mantido por meio virtual, pelos canais de comunicação como site, e-mail da central de atendimentos e redes sociais. O Senac também está providenciando a confecção de 1.000 máscaras para entregar a comunidades carentes.