Principal desafio da crise é garantir recursos para saúde, vulneráveis e manter empregos

AddToAny buttons

Compartilhe
07 A 08 abr 20
Ex: 8h00 às 18h00
Botão - Tenho Interesse
Esse preenchimento não garante sua
inscrição. É apenas para fins de comunicação,
envio de novidades e informações sobre o
evento.
Participantes do evento E Agora Brasil? destacaram que as principais características desta crise são a imprevisibilidade e a necessidade de aumento temporário de gastos governamentais
Participantes do evento E Agora Brasil? destacaram que as principais características desta crise são a imprevisibilidade e a necessidade de aumento temporário de gastos governamentais
Crédito
Divulgação

07/04/2020

O principal desafio do governo e das empresas no Brasil, no curto prazo, é garantir recursos para a saúde, assistência para os vulneráveis e manutenção do emprego. Esse é o consenso entre os participantes do evento “E Agora, Brasil?”, que discutiu nesta terça-feira (07/04), nos canais Youtube e LinkedIn, os impactos do coronavírus na economia do país, realizado pelo jornal O Globo com patrocínio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

“O desafio é não se preocupar tanto com a economia fiscal e gastar com as pessoas vulneráveis e a saúde. Outro desafio é a manutenção do emprego nas empresas”, afirmou o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida. “Estou fazendo campanha para que as empresas não demitam enquanto for possível. Estamos vivendo o novo, inesperado, temos que ter muita cautela, calma e união”, acrescentou Luiza Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza.

A consultora econômica Zeina Latif disse acreditar que a grande lição dessa crise será a solidariedade. “Precisamos fortalecer o laço de coesão social. É importante que quem possa pagar suas contas e contratos faça isso, é preciso eliminar o oportunismo”, disse ela.

Mansueto alertou que, embora defenda o aumento de gastos no curto prazo para enfrentar a crise, essas despesas não poderão se tornar permanentes. Segundo ele, o “buraco fiscal” do governo federal, estados e municípios, que somou R$ 61 bilhões em 2019, deverá chegar a R$ 500 bilhões em 2020.

Sesc e Senac

Especificamente sobre os cortes de 50% nas contribuições das empresas ao Sesc e Senac por três meses, determinadas em Medida Provisória (MP) pelo governo, o secretário do Tesouro disse que essa não foi uma decisão da sua alçada, mas considera que as consequências para o Sistema “serão passageiras”.

Na semana passada, a CNC divulgou que, com o corte das contribuições definido pela MP, serão fechadas 265 unidades do Sesc e Senac, com perspectiva de mais de 10 mil demissões e redução de quase 36 milhões de atendimentos, muitas vezes em municípios que carecem de infraestrutura e serviços públicos.

Especificamente sobre os efeitos da crise provocada pelo coronavírus sobre o varejo, a economista Zeina Latif avalia que serão “heterogêneos”. Segundo ela, enquanto o comércio de bens essenciais vai passar com menos dificuldades pelas turbulências, o segmento de bens duráveis vai enfrentar mais problemas. “O varejo não é o setor que mais preocupa, a indústria preocupa mais, mas o impacto no comércio será muito heterogêneo e dependerá também do porte das empresas”, avalia.

Medidas precisam chegar mais rápido aos empresários e à população

Luiza Trajano, do Magazine Luiza, pediu “calma” aos empresários. “Não é mais o caso de discutir se deve ou não haver isolamento, se é vertical ou horizontal, já foi. Agora temos que saber como sair disso da forma mais previsível e com mais segurança. A situação mudou, o que juntos podemos fazer?”, questionou. Segundo ela, sua empresa paralisou investimentos, está cortando custos e incrementando as vendas na Internet.

“Cada instituição tem que pensar no Brasil, no coletivo”, completou Luiza Trajano, que alertou para a necessidade de que as medidas tomadas pela equipe econômica do governo, que considera em geral adequadas, cheguem mais rapidamente à ponta, aos empresários.

Os participantes do “E Agora, Brasil?” também destacaram a imprevisibilidade do momento atual de crise e seus desdobramentos. “O papel do economista agora é mostrar a situação e os riscos, discutir cenários é difícil, a capacidade de análise está muito comprometida”, observou Zeina Latif. “Todo mundo foi surpreendido pela velocidade dessa crise, há seis meses ninguém imaginava que o mundo ia parar por um vírus”, observou Mansueto Almeida. “É o novo que ninguém imaginava”, salientou Luiza Trajano.