Tadros: “Nosso objetivo é fazer do Brasil uma nação desenvolvida”

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Tadros elogiou a atuação do ministro da Economia, Paulo Guedes: “tem feito o que pode."
Tadros elogiou a atuação do ministro da Economia, Paulo Guedes: “tem feito o que pode. "
Crédito
Fábio Louzada

18/06/2020

O presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), José Roberto Tadros, disse que a entidade está empenhada em ser partícipe da mobilização nacional para amenizar os efeitos da crise gerada pela pandemia da covid-19, tanto na área econômica como em ações solidárias, por meio dos seus braços sociais Sesc e Senac.

Em entrevista ao vivo nesta quarta-feira (17), na live CNC Responde, no Instagram, ele falou sobre as iniciativas diante do governo federal e do Congresso Nacional, em defesa das empresas. “Nosso objetivo é fazer do Brasil uma nação desenvolvida, e estamos perseguindo essa meta.”

Tadros comentou a aprovação, na véspera, pela Câmara dos Deputados da Medida Provisória nº 932/2020, que reduz, em razão da pandemia do novo coronavírus, as contribuições devidas pelas empresas para as entidades do Sistema S. “Não houve derrotados nem vitoriosos na decisão.”

A matéria será agora votada no Senado e “a expectativa continua positiva”. A alegação de que o corte dos recursos melhoraria o perfil das empresas que contribuem para o Sesc e Senac não é verdade, disse o dirigente, “pelo singelo motivo de que, no universo das empresas, cerca de 95% não contribuem para as Federações e para a Confederação porque são microempresas. Ainda assim se beneficiam dos serviços prestados pelas duas entidades, que são extensivos à população”.

A MP original determinava um corte de 50% dessas contribuições nos meses de abril, maio e junho. Contudo, o projeto de lei de conversão aprovado, de autoria do deputado Hugo Leal (PSD-RJ), restringe o corte aos meses de abril e maio, mantendo as contribuições no valor cheio em junho.

“Quem ganha é o povo e a classe trabalhadora, porque ambos continuarão sendo assistidos pelos braços sociais do Comércio. Foi, com certeza, uma demonstração de maturidade dos brasileiros representados na Câmara de que o Sistema S é absolutamente essencial para o Brasil.”

Sesc e Senac têm grande importância para o Brasil, defendeu Tadros, que também preside os Conselhos Nacionais das duas instituições. “A própria história das duas entidades mostra isso, sempre focada nas necessidades mais prementes dos trabalhadores e das classes menos favorecidas, como educação fundamental, saúde e lazer. Muitos desses benefícios oferecidos em áreas nas quais o poder público não chegava. Já os cursos técnicos profissionalizantes permitiram a inserção do cidadão no mercado de trabalho”, detalhou.

Economia

Na entrevista, Tadros elogiou a atuação do ministro da Economia, Paulo Guedes: “tem feito o que pode. Tanto ele como eu não fomos felizes”, comparou, “pois assumimos nossas missões em momento ruim, e logo veio a pandemia do novo coronavírus. Mas estamos nos safando até aqui”.

O grande coração de um país, afirmou, é a área econômica. “Imagino o contorcionismo que o ministro está fazendo para enfrentar a maior crise que o capitalismo viveu neste século, depois do advento da sociedade de consumo.”

Segundo ele, ao contrário do que alguns possam pensar, não foi a gripe espanhola, entre 1910 e 1920, quando não havia sociedade de consumo, nem a Segunda Guerra Mundial, na metade do século, os grandes desafios enfrentados pela economia mundial.

“Hoje com a crise da covid-19, as economias das grandes nações foram profundamente afetadas”, disse, lembrando que, no caso do Brasil, o País ainda estava saindo de uma recessão. “Tínhamos chegado ao atual governo bem melhor após a administração Temer, e o Guedes entrou com todo o gás para soerguer a economia, mas a pandemia atrapalhou.”

Pequenas empresas

Presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Nacional, José Roberto Tadros fez firme defesa de ações governamentais em favor das microempresas, especialmente na área creditícia, “porque elas foram duramente afetadas”. Ele se queixou que o dinheiro liberado pelo governo está retido nos bancos privados, que impõem restrições as quais, ao contrário do objetivo de ajudar, afastam o empresário. 

“É preciso celeridade para resolver isso, agilizar a burocracia. Como empresário, conheço a fundo a necessidade de crédito, hoje absolutamente fundamental para quem negocia, tanto para honrar a folha salarial como para capital de giro. O problema é que se repete a velha máxima de que os bancos só emprestam para quem já tem ou não precisa.”

Setores mais atingidos

De todos os setores atingidos pelos efeitos da crise do novo coronavírus, o mais afetado foi o terciário, observa o dirigente. “A agricultura está crescendo; a indústria nem tanto, mas tem um respirador que é a exportação. Já os comerciantes, em grande parte, ficaram sem vender. E material ou produto que fica na prateleira defasa ou estraga”, declarou.

Dos segmentos que estão sob o guarda-chuva da CNC, o que mais está sofrendo, segundo Tadros, é o Turismo: hotéis, bares e restaurantes foram obrigados a dispensar até agora 750 mil trabalhadores. “É uma situação dramática. Podemos, infelizmente, chegar a uma situação ainda pior: perder 1 milhão de postos de trabalho. É um número impressionante de chefes de família desempregados.”

Como presidente da Confederação, Tadros fez um apelo ao governo: que, paralelamente ao suporte que está planejando para as companhias aéreas, que também passam momento delicado, o governo tenha um olhar sensível para a situação de bares, restaurantes e hotéis.

Alertou para que, não bastasse o quase desaparecimento de hóspedes, com os hotéis semifechados, as despesas, como contas de luz, continuam chegando. “Se praticamente não há movimento, esses estabelecimentos deveriam ter esse tipo de cobrança renegociado.”