Câmaras setoriais da CNC esperam alternativas do governo para amenizar crise da covid-19

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31 mar A 01 abr 20
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A reunião serviu para enumerar pautas emergenciais para cada um dos segmentos representados pelas câmaras setoriais
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Divulgação: CNC

Os coordenadores das câmaras setoriais da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) se reuniram na sexta-feira (27/03), por videoconferência, para debater medidas que possam reduzir o impacto negativo da pandemia do coronavírus no setor terciário e expor os principais problemas enfrentados na atual conjuntura de calamidade pública e isolamento social.

Conduzida pelo vice-presidente Administrativo da CNC e coordenador da Câmara Brasileira de Serviços, Luiz Gastão Bittencourt, a reunião serviu para enumerar pautas emergenciais para cada um dos segmentos representados pelas câmaras setoriais. “O nosso plano de ação deve criar um ambiente em que tenhamos o menor número de demissões possível, preservando a saúde do trabalhador e diminuindo o impacto negativo no comércio. O governo já adotou algumas medidas, mas são necessárias ações mais contundentes neste momento de crise”, afirmou Gastão.

Subcoordenador da Câmara Brasileira de Serviços, Sérgio Approbato afirmou que o grande desafio está no impacto negativo em cima do faturamento das empresas, independentemente do segmento. Segundo o subcoordenador, muitos estabelecimentos não têm fundo de reserva nem conseguirão faturar o mínimo necessário nos próximos 60 dias. “A maioria dos funcionários que atuam na área de serviços não tem as ferramentas necessárias para trabalhar de casa por falta de tecnologia e licença de trabalho a distância. Além disso, muitas atividades não foram classificadas pelas autoridades como essenciais à população, isso gera uma dificuldade enorme de manter clientes”, disse.

Approbato afirmou também que as medidas adotadas no momento pelo governo federal são tímidas e não dão o suporte necessário às empresas. “Até então, o governo federal postergou apenas o pagamento do Simples Nacional. É um absurdo, por exemplo, não postergar o Imposto de Renda da Pessoa Física. Se o quadro continuar dessa forma, a maioria dos empresários do setor não vão aguentar, mesmo que o governo venha a postergar outros tributos”, finalizou.

Quanto ao setor de comércio exterior, Rubens Medrano, coordenador da Câmara Brasileira de Comércio Exterior (CBCEX), afirmou que, embora o governo tenha adotado boas medidas, como a redução das alíquotas de importação de produtos farmacêuticos e matéria-prima para produtos de saúde, higiene e limpeza, além de facilitações em trâmites aduaneiros, é preciso pensar em ações que tenham efeito em médio e longo prazo. “Em médio prazo, o governo deve criar condições de hedge cambial para que empresas importadoras se protejam da alta exorbitante da taxa do dólar, com linhas de crédito que permitam a continuação dos negócios. Em longo prazo, o governo deve continuar a acelerar a política de abertura comercial, pois as atividades de comércio exterior serão importantes na retomada da economia após a crise”, disse Medrano.

Já o segmento de gêneros alimentícios, fundamental para o setor terciário e classificado pelas autoridades como essencial para a população, também teve seus desafios expostos na reunião. O coordenador da Câmara Brasileira do Comércio de Gêneros Alimentícios (CBCGAL), Álvaro Furtado, afirmou que a grande preocupação do setor é manter os postos de trabalho, principalmente nos pequenos estabelecimentos, onde a ausência de poucos funcionários é sentida de maneira latente. “Precisamos de medidas que garantam que o sistema seja minimamente mantido. Se o governo continuar com lentidão na implementação de medidas, principalmente que protejam as pessoas de baixa renda, haverá um colapso em cadeia no consumo de produtos dos pequenos estabelecimentos”, ressaltou Furtado.

Coordenador da Câmara Brasileira de Comércio e Serviços Imobiliários (CBCSI), Pedro Wähmann explicou que o foco do setor é organizar os pagamentos de condomínio e mediar as relações entre locador e locatário. “Temos que atuar com extremo bom senso para achar um denominador comum entre as duas partes, não só de imóveis e condomínios de moradia, mas também de centros comerciais e escritórios. Muitos dos locatários são autônomos e terão dificuldade para arcar com alguns valores”, afirmou.

Wähmann também explicou que os administradores de imóveis terão papel importante na contenção da disseminação do vírus. “Vinte por cento da população brasileira, equivalente a cerca de 40 milhões de pessoas, vive hoje no regime de condomínios, principalmente nas grandes cidades, que são o foco do vírus. Estamos fazendo uma campanha intensa de isolamento nesses locais, instruindo os profissionais de portaria, limpeza e segurança sobre medidas sanitárias para que eles trabalhem adequadamente”, explicou.

Também participaram da reunião André Luiz Roncatto, coordenador da Câmara Brasileira do Comércio de Produtos e Serviços Ópticos; Lázaro Luiz Gonzaga, coordenador da Câmara Brasileira de Produtos Farmacêuticos; Maurício Rejaile, coordenador da Câmara Brasileira do Comércio de Combustíveis; Ranieri Palmeira Leitão, coordenador da Câmara Brasileira do Comércio de Peças e Acessórios para Veículos; e  Christian Tadeu, representando o coordenador da Câmara Brasileira de Tecnologia da Informação, Francisco Maia Farias.