Comércio encerra 2020 com confiança em queda

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17 A 18 dez 20
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Embora se mantenha na zona de avaliação positiva, índice que captura confiança do empresário do setor mostra a primeira queda desde junho (-0,5%), influenciado pela redução das expectativas para o curto prazo e das intenções de investimentos
Embora se mantenha na zona de avaliação positiva, índice que captura confiança do empresário do setor mostra a primeira queda desde junho (-0,5%), influenciado pela redução das expectativas para o curto prazo e das intenções de investimentos

O comércio está menos confiante neste fim de ano. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostrou queda de 0,5% em dezembro, alcançando 108,5 pontos. É a primeira redução desde junho, quando o índice havia atingido a mínima histórica. Na comparação anual, o Icec registrou queda de 13,3%.  Embora o índice de confiança permaneça na zona de avaliação positiva, ainda está 20 pontos abaixo do nível pré-pandemia.

A queda no índice é diretamente influenciada pela redução das expectativas para o curto prazo e das intenções de investimentos. Na satisfação quanto às condições correntes, o indicador (+1,7%) apurou a menor magnitude em comparação aos avanços dos últimos meses e, assim, segue na zona negativa. O subíndice referente às expectativas caiu pela primeira vez em cinco meses (-1,7%). Quanto às intenções de investimento, o subíndice também experimentou queda na variação mensal (-0,2%), a primeira desde julho.

“O mês de dezembro é o mais importante do varejo em número de vendas. Este ano, apesar da pandemia, o IBGE tem mostrado que o desempenho do comércio vem melhorando, e a própria CNC revisou esta semana a expectativa de consumo em dezembro para um crescimento real de 3,4%. Mas a redução no valor do benefício emergencial e pressões sobre os custos e preços são fatores que ajudam a explicar essa pequena redução observada na confiança”, avaliou o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

A economista da CNC Izis Ferreira, responsável pela pesquisa, explica que o agravamento da pandemia e a perspectiva de fim do auxilio emergencial, no início de 2021, injetou mais incertezas no setor e vai impor novos desafios de recuperação para os próximos meses. “Diminuiu a proporção de empresários que esperam melhora na atividade no curto prazo, bem como no desempenho do varejo. Já a intenção de investimento na empresa ainda mantém alguma evolução, pois fatores como a manutenção das taxas de juros em nível baixo favorecem o acesso ao crédito.”

O item referente às condições atuais da economia cresceu, mas em menor ritmo (+1,3%). Desde julho, a avaliação dos comerciantes quanto ao desempenho econômico atual vem melhorando, mas a proporção ainda é elevada: 69,2% consideram que as condições estão piores do que há um ano, indicador que havia alcançado 71,4% em novembro. A percepção menos pessimista é reforçada pelos resultados mais recentes dos indicadores de atividade, como o crescimento do PIB no terceiro trimestre e a perspectiva de novo aumento no quarto trimestre do ano.

Em relação ao desempenho do setor do comércio, as avaliações negativas também representam a maioria: 56,4%, contra 58,6% em novembro, e 44,2% em dezembro de 2019.

A pesquisa mostra ainda que as intenções de contratação de funcionários pelo varejo tiveram pequena queda (-0,2%) após cinco meses de evolução, mas seguem na zona positiva, com 125,3 pontos. A intenção de contratar pelo comércio foi reduzida em todas as regiões do País em dezembro, exceto no Norte. Já a avaliação dos estoques diante da programação das vendas caiu pelo terceiro mês consecutivo (-1,3%), indicando que os varejistas enfrentam obstáculos conjunturais para readequar o nível dos estoques.