Sumário Econômico - 1623

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31 jan A 01 fev 20
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Turismo acumula perda de R$ 88 bilhões durante a quarentena - O setor de turismo tem sido um dos mais impactados pela pandemia mundial def lagrada pelo novo coronavírus. A intensificação de medidas visando à redução do ritmo de expansão da Covid-19, através dos protocolos de isolamento social e o fechamento das fronteiras em diversos países, reduziu drasticamente o fluxo de passageiros no País desde o último mês de março. De acordo com o Índice de Atividade do Turismo, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no mês em que foi decretada a pandemia mundial, o volume de receitas do setor de serviços recuou 6,9%. No turismo, a mesma pesquisa indica queda de 30% ante fevereiro, com destaque no mesmo período para as retrações nos serviços de alojamento e alimentação (-33,7%) e de transporte aéreo (-27,5%). Os estados do Rio de Janeiro (R$ 12,48 bilhões) e de São Paulo (R$ 31,77 bilhões), principais focos da Covid-19 no Brasil, concentram mais da metade do prejuízo nacional registrado pelo setor. No turismo, historicamente, para cada retração mensal de 10% no volume de receitas, há uma destruição potencial de 97,3 mi l postos de trabalho em até três meses. Assim, considerando a atual perda na capacidade de geração de receitas, já há um potencial de eliminação de 727,8 mi l postos de trabalho no setor até o final de junho. Mesmo em outras regiões do mundo que já contam com o relaxamento da quarentena, nota-se uma inércia mais acentuada no processo de recuperação do turismo em relação a outras atividades econômicas.

O importante é tentar manter a renda real das famílias - A crise gerada pela Covid-19 obrigou o governo a tomar medidas drásticas para preservar a saúde pública. A mais importante foi a instauração do isolamento social, obrigando diversos estabelecimentos considerados não essenciais a fecharem, e outros a trabalharem com restrições. Com isso, a população alterou suas prioridades de consumo e vem se adaptando a novos modelos de compras. Os resultados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio mostraram que o isolamento social naturalmente reduziu o consumo de bens e de serviços, o que levou a um movimento deflacionário. É o segundo mês em que a inflação está negativa, com taxa de -0,31% em abril e de -0,38% em maio. Com isso, o IPCA acumulado no ano ficou em -0,16%. Para este ano, as expectativas são de que o IPCA termine abaixo do intervalo de confiança, o mercado espera inflação perto de 1,53%. Ainda não existe uma data definida para o isolamento se encerrar totalmente, por isso não é possível definir quando os hábitos das famílias irão se restaurar. Além disso, mesmo quando a população tiver permissão para sair, os efeitos da quarentena podem ser duradouros. Algumas das medidas do governo para tentar conter os desligamentos foram as suspensões e as flexibilizações temporárias dos contratos de trabalho. Além dessas iniciativas que estão freando perdas nominais maiores nas rendas, as famílias também estão recorrendo com algum sucesso ao mercado financeiro. Segundo dados de junho da Peic, o endividamento continua em tendência ascendente, influenciado principalmente pelas famílias que recebem menos de dez salários mínimos.

Sinais negativos, exceto super e hipermercados - Segundo a empresa de cartões Cielo, os setores do comércio e de serviços vêm sofrendo perdas praticamente irremediáveis nas vendas em decorrência dos efeitos da pandemia da Covid-19. O isolamento social, combinado com o lockdown, afastou consumidores e fechou estabelecimentos, criando uma situação inusitada até então para as pessoas e empresas, cujo desfecho está sendo muito ruim, vis-à-vis a expectativa de queda do produto interno poder chegar até 8% no corrente exercício, segundo algumas projeções. Portanto, o pior resultado que a conjuntura adversa poderia determinar está em curso, e se destaca pela perda sucessiva de receitas de diversos setores. Junto com super e hipermercados, o segmento de drogarias e farmácias apresentou taxas semanais crescentes no início de março. Sendo que, no caso deste último segmento, a série positiva se encerrou na terceira semana (4,5%, 15,0% e 36,1%, respectivamente). A partir daí, tem-se uma sucessão de taxas negativas culminando na última (de 31 de maio a 6 de junho) de -1,5%. De 1º de março até 6 de junho, as vendas nominais de drogarias e farmácias encolheram 3,7%. Na contramão dos demais segmentos do varejo, estão as vendas dos super e hipermercados, positivas desde o início da sequência examinada pela empresa de cartões. Dessa forma, somam 14 taxas positivas sucessivas desde a primeira semana de março em comparação com fevereiro. Em pior situação do que a do comércio, encontram-se os serviços (turismo e transporte; bares e restaurantes; serviços automotivos e autopeças; entre outros). No total, essas atividades despencaram 62,0%, refletindo as consequências provocadas pelas medidas de combate à pandemia. Por conta da baixa essencialidade de muitos desses serviços, a deterioração das vendas dessas atividades desenha-se por perdurar.

Produção de grãos da safra brasileira - A agropecuária continua vigorosa, a safra de grãos deve ser recorde e o agronegócio continua garantindo, com exportações crescentes, a segurança externa da economia brasileira. A produção de grãos deve atingir 250,54 milhões de toneladas na safra 2019/2020, com aumento de 8,5 milhões de toneladas em relação à anterior. É o único setor em crescimento, numa economia severamente abalada pela crise da Covid-19. O mercado asiático (excluído o Oriente Médio) absorveu 55,4% das vendas externas brasileiras. O segundo destino mais importante foi a União Europeia, com participação de 16,4% no total negociado. A supersafra será puxada pela soja, principal produto da agricultura brasileira, como já era esperado desde os primeiros prognósticos para 2020, divulgados em novembro do ano passado. Com produção em torno de 120 milhões de toneladas, o Brasil disputará este ano, com os Estados Unidos, o posto de maior produtor global de soja. Só que a estimativa para a safra de soja veio sendo reduzida nos últimos meses, por causa da seca no Sul. Com a colheita finalizada praticamente em todas as culturas de primeira safra, e as de segunda em andamento, o que falta agora é a conclusão do plantio das culturas de inverno e os números resultantes da terceira safra. Além disso, será necessário observar o comportamento climático, que pode influenciar na produtividade dessas culturas.