Última edição de 2020 do "E Agora, Brasil?" analisa a pandemia e os impactos da vacinação para o País

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14 A 15 dez 20
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O fórum de debates é promovido pelos jornais O Globo e Valor Econômico com o patrocínio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O fórum de debates é promovido pelos jornais O Globo e Valor Econômico com o patrocínio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Os impactos do aumento do número de casos confirmados de coronavírus na economia, os reflexos sociais e a vacinação foram os temas debatidos na quinta e última edição de 2020 do "E Agora, Brasil?", realizado em 10 de dezembro. O fórum de debates é promovido pelos jornais O Globo e Valor Econômico com o patrocínio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O evento contou com a participação do médico oncologista, cientista e escritor Drauzio Varella; da pneumologista, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e colunista do Globo, Margareth Dalcolmo e da economista e pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics, Monica de Bolle. Eles enfatizaram que o processo de vacinação precisa ser abordado de forma técnica e embasado na ciência e por meio de ações coordenadas, além de considerar os riscos que a população corre ao reduzir o isolamento e afrouxar os protocolos de combate a covid-19 durante as festas de final de ano e férias escolares.

Margareth Dalcolmo explicou que uma virose aguda, como é o caso da covid-19, só se resolve com vacina e esclareceu que o termo “imunidade de rebanho”, muito falado durante a pandemia, não é possível pelo simples contágio entre as pessoas, “o termo só se aplica com o uso das vacinas”.

Número limitado de vacinas

A pneumologista lembrou a população que, mesmo com uma campanha de vacinação ocorrendo, o que ainda não tem data para acontecer no Brasil, não haverá vacinas para todos. Segundo Dalcomo, se forem somadas todas as vacinas que estão sendo produzidas no mundo chegaremos a 2,5 bilhões de doses, mas existe grande chance de serem necessárias duas doses por pessoa para garantir a imunização e isso diante de uma população de 7,8 bilhões de pessoas.

“As vacinas serão razoavelmente boas, com 60% de proteção, mas não terá para todos. Não vai dar para a gente se comportar fora de uma racionalidade. Não dá para fazer da vacina um sonho, uma quimera”, lembra Dalcomo.

Na mesma linha, o médico Drauzio Varella alertou que é essencial a população manter a prevenção ao coronavírus para evitar que os casos de contaminação sigam crescendo. Ele explica que o uso de máscaras e o isolamento social deverão fazer parte da rotina dos brasileiros ainda em 2021. Para Dráuzio, a “segunda onda” virá após as festas de fim de ano. “Agora vem o fim de ano e, infelizmente, muitas pessoas vão morrer por causa dos encontros e da ilusão de que agora, por que temos uma vacina, o problema ficou para trás”, lamenta o médico.

Economia só se recupera com imunização

Para a economista Monica De Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, em Washington, o avanço da pandemia e um atraso na vacinação podem ameaçar o processo de recuperação da economia brasileira. Para ela, o atraso tem consequências, porque deixa parte significativa da população economicamente vulnerável sem assistência e impacta a economia. “A gente já viu os efeitos de uma pandemia descontrolada na economia. Estamos prestes a ver o auxílio emergencial terminar, em 31 de dezembro. Vamos entrar em 2021 sem um plano claro para campanha de vacinação, sem plano de assistência para pessoas em vulnerabilidade, e sem decreto de calamidade. Passa a valer o teto de gastos que constrange e restringe especialmente gastos na área da saúde e na de proteção social”, destacou.

Para o médico Dráuzio Varela falta no Brasil uma coordenação central para a vacinação que seja nacional e liderada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Se tem uma coisa que Brasil sabe fazer é vacinar, temos o maior programa de imunizações do mundo. Mas é um desafio absurdo vacinar 210 milhões de pessoas. Faltam vacinas, temos que comprar e também produzir vacinas no País. A importância de ter uma coordenação nacional para um país do tamanho do Brasil é imensa e vamos passar por esse momento sem isso. Não dá para ter políticas em cada estado, na área da saúde”, defende.

Monica de Bolle disse que nos EUA, onde mora e de onde participou do evento, os órgãos de saúde estão no controle e tomando as decisões, após um período de politização da pandemia. “Apenas com a conscientização da importância da vacina para o coletivo é que teremos a recuperação necessária, da economia. Não há recuperação econômica sem que aja o controle da pandemia e desse vírus”, afirmou Monica de Bolle.

Como avançar?

A economista aponta os programas de renda básica e de proteção social são necessários para o País, que tem uma parcela gigantesca da população vivendo no mercado informal ou como Microempreendedor Individual (MEI), mas sem estabilidade, principalmente em momentos de crise. Para ela é preciso incluir os trabalhadores que perderão seus empregos de forma definitiva por causa das mudanças relacionadas às tecnologias e à transformação digital que foram aceleradas pela pandemia. “Um dos debates mais importantes no mundo é como colocar a política fiscal, monetária e econômica a serviço da resolução das desigualdades”, completa a economista, afirmando a essencialidade desse debate para o Brasil, um dos países mais desiguais do mundo.

Iniciativa privada parceira no combate à pandemia

Para Margareth Dalcolmo, a iniciativa privada tem sido parceira, compareceu nos momentos mais difíceis da pandemia, “ajudando em projetos de grande envergadura”, afirma. Ela destaca a importância de manter a participação das empresas e que os projetos tenham continuidade para diminuir a desigualdade social.

“Considero absolutamente lamentável e inaceitável que se diga que o Brasil não pode ter a vacina da Pfizer porque precisamos de freezer a menos 70 graus. Participei de um evento com empresários, eles fizeram fila para me dizer: “olha, quantos freezers você precisa? Podemos e devemos trabalhar com a iniciativa privada”, afirmou a pneumologista.

Eduardo Belo, editor assistente do Valor Econômico encerrou a última edição do ano do "E Agora, Brasil?" agradecendo a parceria do Sistema Comércio. “O Sistema Comércio – por meio da CNC, do Sesc, do Senac e de todas as suas Federações – está conosco desde o primeiro encontro que aconteceu lá em 2017, e segue nesse evento que está na sua 27ª edição”.