Artigo: Pós-pandemia - o rumo para o turismo saudável certificado

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22 A 23 mai 20
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Bob Santos - Secretário Nacional de Integração Interinstitucional do Ministério do Turismo – Mtur.

Em tempos que a natureza tem demonstrado ser bem maior que o homem, acredito que após a pandemia teremos duas mudanças significativas: a primeira é que dificilmente seremos os mesmos; a segunda diz respeito aos novos padrões de comportamento que, provavelmente, confirmarão tendências que já se desenhavam. O vírus de uma síndrome gripal pode ser o catalisador que faltava.

Estaremos mais ricos de princípios e valores humanos que funcionarão como normas de conduta que podem determinar decisões importantes e garantir que a convivência entre as pessoas seja mais pacífica, honesta e justa. O vírus não empobrecerá países. Se isso acontecer, a culpa terá sido de escolhas políticas, não da pandemia. Não há uma dicotomia entre economia e vidas humanas. A maioria dos governantes parece ter entendido isso e determinou medidas de distanciamento social para reduzir as consequências à população no início da crise.

Seria irresponsável da minha parte falar agora sobre decisões políticas. Ainda é cedo para refletir sobre os resultados de isolamento social e as ramificações da epidemia. Prefiro falar da mudança dos novos hábitos e comportamentos a que estaremos sujeitos. Entre eles, destaco a biossegurança no turismo, área em que atuo hoje em dia.

No ano passado, escrevi um artigo sobre a mudança de comportamento das pessoas. “Vivemos num mundo em que o TER está perdendo espaço para o VIVER”, afirmei. Pois bem, acredito que nos dias de hoje essa tese tem valido muito mais do que antes. Com o isolamento social, aprendemos valores com que em nosso dia a dia - da tecnologia, da ansiedade, do corre-corre - sequer havíamos nos deparado. Um deles são os bens materiais. Muitas pessoas possuem garagens repletas de bons carros e motocicletas, marinas com bons barcos, pátios com aeronaves, até mesmo bicicletas, patinetes, skates e afins, mas sem poder utilizá-los.

Temos aprendido a ser bem menos materialistas e muito mais minimalistas, praticando atividades mais interpessoais com os nossos familiares - coisas que muitos sequer faziam com periodicidade.

A grande maioria da população percebeu que o movimento de ficar em casa pode ter sido predominante para a valorização familiar.  Isso nos mostra o quão vital é retornar às nossas funções e valores fortemente decididos a não mergulhar no status quo que antecedeu a pandemia.

Muito em breve retomaremos gradativamente as atividades comerciais em diversos setores, inclusive no do turismo. Todavia, como estaremos mais conscientes da necessidade de proteger nossos entes, seremos mais prudentes e preocupados com a biossegurança dos locais aonde possivelmente pretenderemos ir.

É certo dizer que, tão logo tudo se equilibre, nossa tendência será fazer a manutenção da saúde mental, retomando o hábito das viagens. E grande parte da população, certamente, vai procurar ambientes que lhe tragam, mais que conforto, as boas práticas de higienização atreladas aos protocolos sanitários.

Num primeiro momento, acredito que a escolha será por viagens de curta duração, em fins de semana ou feriados prolongados. Os destinos de natureza, de aventura, de base comunitária e de ecoturismo serão os mais procurados, tendo em vista a baixa aglomeração de pessoas. Haverá certa prudência para as viagens internacionais, prevalecendo o turismo nacional.

Será preciso adotar novas medidas para fomentar a volta do turismo. Uma das formas de trazer segurança para aqueles que pretendem realizar suas viagens é dando uma garantia de que os locais escolhidos sigam as normas de biossegurança necessárias para evitar um possível contágio pelo novo coronavírus.

Acerca disso, baseado nas novas tendências e inovações, o Ministério do Turismo está lançando no dia de hoje um selo de certificação de biossegurança. A proposta é que os prestadores de serviços turísticos tenham aplicabilidade imediata de protocolos sanitários, visando trazer segurança e proteção aos turistas.

Com esta medida, o Ministério do Turismo pretende não apenas qualificar o setor turístico com informação sobre as medidas mínimas necessárias de higiene e limpeza, mas também promover o País como um ente preocupado em oferecer cuidados com seus turistas e, consequentemente, com a população local - combatendo a propagação do vírus por meio de uma atuação articulada entre todos os envolvidos.

O selo visa distinguir as atividades turísticas que asseguram o cumprimento de requisitos de higiene e limpeza para prevenção da covid-19 e de outras possíveis infecções, reforçando, assim, a confiança do turista no destino.

Você certamente terá prudência na escolha de um destino, equipamento ou prestador de serviço turístico, com medições de temperatura pessoal, utilização de máscaras, higiene contínua de móveis, distanciamento de pessoas e aplicabilidade dos protocolos, entre outros, prevalecendo em primeiro lugar a sua saúde.

É importante citar que a pandemia causou um colapso no setor. Os impactos diretos foram a queda da demanda de consumidores, modificações regulatórias, interrupções na cadeia de suprimentos, desemprego, recessão e aumento da incerteza. Assim, o setor do turismo precisa encontrar caminhos para a retomada do crescimento do fluxo turístico e, assim, reduzir o desemprego e o déficit econômico no País. Lembrando que será preciso se preparar, capacitar profissionais, adequar rotinas, inovar e qualificar a metodologia de trabalho.

Uma pesquisa elaborada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estimou uma queda de 20% do comércio mundial em 2020, no cenário básico, em que o PIB mundial tem queda de 2,0%. No cenário otimista, a queda seria de 15% e, no cenário pessimista, de 25%. Em 2021, os cenários indicam que o crescimento do comércio poderia ser de 4,0%, 7,0% ou 10,0%. Para isso, deveremos, setores público e privado, nos unir de forma integrada para que o turismo possa ser o vetor de desenvolvimento e retomada da economia que tanto esperamos. Esse objetivo somente poderá ser alcançado contando com a seriedade e responsabilidade de todos, pois, no atual cenário, devemos construir pontes e não muros, não nos importando com os meios, mas sim com os fins que desejamos: um Brasil com saúde em todos os sentidos.

Bob Santos  

Atualmente é Secretário Nacional de Integração Interinstitucional do Ministério do Turismo – Mtur.

Foi secretário Nacional de Qualificação e Promoção do Turismo no Mtur, secretário Executivo da Frente Parlamentar de Turismo do Congresso Nacional, chefe de Gabinete da Presidência da Comissão de Turismo na Câmara dos Deputados, proferiu mais de uma centena de palestras sobre políticas públicas no Turismo, graduado em Direito pela Universidade do Distrito Federal (UDF) e especializado em Orçamento Público, Direito Público e Processo Orçamentário, pai do Vitinho e motociclista.