Precisamos falar da inclusão das pessoas com deficiência no turismo de intercâmbio

AddToAny buttons

Compartilhe
18 A 19 fev 20
Ex: 8h00 às 18h00
Botão - Tenho Interesse
Esse preenchimento não garante sua
inscrição. É apenas para fins de comunicação,
envio de novidades e informações sobre o
evento.
Crédito
Divulgação
revista Turismo em Pauta - edição 44

 

Maura Leão *


No dia 11 de outubro, comemora-se o Dia Nacional do Deficiente Físico. Mundialmente, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu em 1992 o 3 de dezembro como a data internacional das pessoas com deficiência. São apenas 27 anos com as nações de todo o mundo debatendo ações de como incluir os deficientes físicos, mentais, visuais e auditivos em uma sociedade mais justa. Entretanto, um tema pouco discutido é o acesso à educação internacional das pessoas com deficiência.

Se pensarmos que o intercâmbio se popularizou no Brasil a partir da década de 1970, quando as grandes empresas começaram a exigir que os seus colaboradores tivessem fluência em inglês, a inclusão das pessoas com deficiência, por parte das nações, ainda é algo recente. A chave dessa discussão está na legislação de cada país, isso porque cada local tem a sua lei trabalhista.

No Brasil, as empresas já têm que reservar uma parte de seus postos de trabalho para as pessoas com deficiência. Ou seja, a exigência quanto ao domínio de outras línguas, além da materna, recai também sobre as pessoas nessas condições que querem realizar um intercâmbio para suprir essa necessidade, além dos cursos de idiomas oferecidos no Brasil.

Diante deste quadro, vale lembrar que as pessoas com deficiência representam um grande mercado consumidor de intercâmbio. Vamos aos números: o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 6,7% da população brasileira têm algum tipo de deficiência. Quando falamos em um número mundial, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) esse dado salta para um bilhão de pessoas que vivem com alguma deficiência. Logo, além de erradicarmos o preconceito quando oferecemos um intercâmbio de qualidade e acessível a elas, estamos falando de mais um nicho de mercado potencial a ser explorado pelas agências.

Havendo essa possibilidade, as agências certificadas com selo Belta têm a preocupação recorrente de checar acessibilidade, estrutura e diferenciais que cada escola e/ou universidade ligadas a elas oferecem. Como a única associação das agências de intercâmbio do Brasil, nós temos como premissa a preocupação com a qualidade de vida e a promoção dos direitos das pessoas com deficiência. Os resultados alcançados são bem maiores do que apenas o financeiro, e eles vêm como reflexo do trabalho bem feito.

Neste ano, a Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta) levantou, com seus associados e parceiros, os melhores destinos de intercâmbio para quem tem algum tipo de  deficiência. São eles: Las Vegas (Estados Unidos), Dublin (Irlanda), Nova York (Estados Unidos), Montreal (Canadá) e Barcelona (Espanha).

Engana-se quem acha que Las Vegas é um local apenas para jogos. Além de seus encantadores cassinos, a cidade é a mais populosa e mais densamente povoada do estado de  Nevada.  Possui  museus e um zoológico acessível ao deficiente físico; estrutura nos seus hotéis para receber as pessoas nessas condições; e diversos formatos de intercâmbio para aprendizado do inglês. Há também diversões adaptadas para os deficientes visuais. Alguns caça-níqueis, por exemplo, contam com sistema de áudio para que eles possam jogar.
 
As pessoas com deficiência representam um grande mercado consumidor. O IBGE mostra que 6,7% da população brasileira tem algum tipo de deficiência. Em termos mundiais, segundo a OMS esse dado salta para um bilhão de pessoas
 
Dublin aparece como  a  nossa segunda sugestão porque tem uma excelente estrutura para deficientes. A cidade irlandesa conta com sinalização diferenciada para pessoas com deficiência visual, e todos os meios de transportes são adaptados para cadeirantes. Além disso, há diversos tipos de intercâmbio que vão desde cursos rápidos de inglês a combinações de trabalho e estudo, porque é permitido trabalhar na Irlanda enquanto se
 
faz intercâmbio. Por ser um país adaptado para os deficientes, é possível buscar um trabalho durante a estadia. A principal dica é pesquisar por moradias próximas aos meios de transporte e fugir das edificações antigas, que só têm escadas como meios de acesso.

A fantástica e movimentada Nova York é mesmo feita para os deficientes. Por mais que seja uma megametrópole, a cidade tem um sistema de metrô totalmente adaptado para deficientes físicos e visuais. São 110 estações com mapas táteis e em braile disponíveis, elevadores e portões acessíveis.

Além do transporte, tem atrações para todos os gostos: os shows da Broadway são interpretados na língua de sinais, além de muitas vezes terem legendas disponíveis para atender os deficientes auditivos; e também é possível assistir às partidas de seu time favorito de qualquer esporte, uma vez que todos os estádios são acessíveis e contam com banheiros adaptados. Para o intercâmbio, Nova York faz parte do segundo país mais procurado, porque os Estados Unidos têm excelência nos seus centros de estudos e, claro, respiram atrações que vimos em tantos filmes e séries ao longo da vida.

Montreal traz para as pessoas com deficiência a possibilidade de aprender dois idiomas, francês e inglês, e conseguir chegar às escolas de idiomas com tranquilidade. A cidade oferece essa inclusão aos deficientes físicos. Com sete estações de metrô desenvolvidas com acessibilidade, é possível chegar aos seus parques abertos e em outros locais culturais. O Canadá ocupa o primeiro lugar dos destinos escolhidos pelos brasileiros para fazer intercâmbio, de acordo com a pesquisa Selo Belta: foram 24,4% dos intercambistas brasileiros em 2018, e há seis anos consecutivos o país é o mais procurado por quem sai do Brasil para estudar fora.

Nossa quinta sugestão, Barcelona traz o espanhol para as pessoas com deficiência. O idioma é o segundo mais procurado, segundo a pesquisa da Belta, e a Espanha ocupa o sexto lugar dos destinos mais buscados por intercambistas brasileiros. E não é à toa. Além de acolhedor, o país conta com várias cidades que têm acessibilidade nos seus serviços. Barcelona é uma delas. É adaptada para os deficientes físicos nas suas praças, museus e restaurantes, e ainda conta com museus com obras táteis, como o Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, que tem peças com audiodescrição, possibilitando escutar as descrições das obras, e táteis, para que os deficientes visuais possam senti-las.

Se você tem alguma deficiência ou conhece alguém que tenha, acesse o site da Belta! A Associação só concede o selo de excelência às agências idôneas, especialistas em educação internacional e que comprovam periodicamente a sua saúde financeira. Podemos indicar a melhor agência para você.
http://www.belta.org.br
 

*Maura Leão, presidente da Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta)