Turismo no Brasil: um gigante ainda pouco explorado

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1ª Vice presidente da CNC, Leandro Domingues escreve sobre turismo no Brasil
Crédito
Divulgação
revista Turismo em Pauta - edição 44

 

Leandro Domingos Teixeira Pinto*

O Brasil é um gigantesco polo turístico, de belezas que encantam a todos, muitas delas ainda inexploradas. Se há um consenso entre especialistas e leigos quando o assunto é o turismo nacional, é que ainda temos um grande potencial a ser trabalhado. Neste setor, ainda somos o país do futuro, uma promessa não consumada.

Acredito que é preciso partir do que nos está próximo, daquilo que mais conhecemos e admiramos, para tocar os corações do mundo. É na identidade brasileira que está a força de atração dos visitantes de todo o planeta, e acredito que estes visitantes ainda vão conhecer todos os nossos recantos e encantos.

Nascido e criado no Acre, um estado ainda distante do imaginário de tantos turistas brasileiros e estrangeiros, aproveito a honra dessa oportunidade para apresentar algumas das riquezas da minha terra. Não farei do tema um exercício de vaidade, mas o caminho para possibilitar que todos superem o óbvio: ousar desbravar para além das nossas maravilhas já mapeadas.

Posso garantir que, assim como o Brasil e suas estonteantes maravilhas, o Acre, um dos nossos estados fronteiriços, apresenta surpresas que farão a alegria dos viajantes. Para os estrangeiros, significamos o Brasil profundo e, longe de negar os destinos mais populares e cobiçados, podemos nos somar, em beleza e graça, a qualquer roteiro de viagem.

Para os brasileiros, o convite é também uma convocação, um chamado: venham conhecer um pouco mais da nossa terra, das nossas raízes. “O Brazil não conhece o Brasil”, cantava a saudosa Elis Regina. Trago aqui motivos suficientes para transcender essa realidade e lotar os perfis das redes sociais de selfies em lugares invejáveis.

Para começar pelas palavras mágicas que acionam instantaneamente o imaginário planetário, o Acre é porta de entrada para a Floresta Amazônica, nosso orgulho e riqueza. Se o ecoturismo está hoje no topo da lista de escolhas de viajantes de todo o mundo, a Amazônia se destaca em qualquer roteiro de um ecoturista que se preze. Afinal, estamos falando de um dos mais importantes biomas do planeta, repleto de fauna e flora inumeráveis.

O turismo de natureza já é responsável por quase 20% dos turistas nos destinos brasileiros. Acreditamos que este percentual tende a aumentar muito nos próximos anos, e o Acre será beneficiado, sem dúvida, pelo urgente crescimento da divulgação dos atrativos das nossas belezas criadas por Deus e preservadas pelos homens.

É sempre bom lembrar e sublinhar: a Amazônia é a maior floresta do mundo, com a maior concentração de água doce e a maior biodiversidade do planeta.

Nossa grande atração ecológica ocupa área de seis países, mas está 60% localizada no Brasil, onde abrange os Estados do Pará, Amazonas, Maranhão, Goiás, Mato Grosso, Amapá, Rondônia, Roraima e, é claro, Acre.

Os números da Amazônia são quase tão superlativos quanto a sua beleza. Além das vastas áreas de florestas, a região é rica em campos rupestres,

 Bastante admirado pelos viajantes, o Parque Chico Mendes é uma atração que mescla cultura e ecologia, em área ambiental bem preservada e cheia de trilhas no meio da mata, além de áreas de lazer que fazem a festa das crianças

cerrados, matas secas, igapós, manguezais, ilhas, praias fluviais de areia branca e cachoeiras. Isso sem falar na flora e na fauna, já que existem ali cerca de 30 mil espécies de plantas e milhares de espécies animais.

Seus quase cinco milhões de metros quadrados abrigam pelo menos 1.800 espécies de pássaros, 280 de mamíferos e mais de três mil tipos de peixes, sem falar nas inúmeras variedades de árvores e plantas,

muitas delas ainda não catalogadas. Se tudo isso parece um exagero ao leitor, faço um convite: simplesmente olhe pela janela do avião ao sobrevoar os estados do Norte, onde a força da floresta se impõe aos mais incrédulos olhos.

O que só é possível experimentar ao entrar na floresta, porém, é a força dos sons produzidos pelos pássaros e mamíferos; e da água que, generosamente, forma um espelho para a fauna capaz de encantar os olhos dos turistas mais experimentados em desbravar os destinos mais impactantes do mundo.

O rio que nasce como Marañon no Peru, a cerca de 5.800 metros de altitude, chega como Solimões ao Brasil, onde ganha o nome de Amazonas ao se juntar com o rio Negro nas proximidades de Manaus. São quase sete mil quilômetros de extensão, com afluentes famosos como Tapajós, Xingu, Madeira e Jarí, alguns com mais de mil quilômetros.

O nosso Acre, porém, vai além da Amazônia, embora a floresta já fosse suficiente para justificar uma visita a essa terra tão rica quanto desconhecida. Com uma população que gira em torno de apenas 900 mil habitantes, nosso estado apresenta, por exemplo, grandes atrativos para os que apreciam a boa gastronomia, que aqui recebe influências bolivianas, peruanas, portuguesas e até mesmo libanesas, com um tempero todo próprio e que garante uma identidade peculiar às nossas guloseimas. Os peixes amazônicos, saborosíssimos, são uma atração à parte, com um paladar que se torna inesquecível para os turistas.

Outra atração bastante admirada pelos viajantes é o Parque Chico Mendes, que mescla cultura e ecologia. É uma área ambiental bem preservada e cheia de trilhas no meio da mata, além de áreas de lazer que fazem a festa das crianças. Um mini zoológico com espécies locais é, inclusive, uma oportunidade de aprendizado para toda a família.

Do Parque Chico Mendes é possível seguir para o Palácio Rio Branco, onde, no lugar das belezas criadas por Deus, destaca-se a riqueza das maravilhas desenhadas pelos homens. Inspirada nas construções gregas, a edificação vale como uma aula do passado, abrigando objetos que contam a história do Acre e de tribos indígenas brasileiras.

Essas são apenas algumas das muitas atrações acreanas, que podem ser combinadas com um grande número de atividades para os amantes do turismo de aventura e com visitas não apenas a outros estados do Norte brasileiro, mas também aos países fronteiriços, formando uma experiência completa nessa região para os viajantes.

Como observei no início deste artigo, parto do meu “quintal”, o Acre, para falar sobre o Brasil e seus potenciais turísticos, ainda tão inexplorados, mas cada vez mais reconhecidos e divulgados. Como bem diz o presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), José Roberto Tadros, o turismo é um compromisso histórico da entidade, do Sesc e do Senac, tanto que a evolução da atividade turística no Brasil se confunde com a própria história da Confederação.

Incentivar o turismo vai muito além de mapear e propagar nossas atratividades e riquezas. É preciso aumentar a segurança em todo o País, investir em infraestrutura, aumentar exponencialmente a divulgação do Brasil no mundo. É preciso também derrubar dogmas e preconceitos, como os que impedem a legalização dos cassinos. Nossa estimativa é que isso geraria mais de R$ 15 bilhões em receita por ano, além de 400 mil postos diretos e indiretos de trabalho.

O turismo é fonte de descanso e prazer, mas para nós, empresários e líderes empresariais, é preciso levar a atividade turística muito a sério, como uma importante atividade econômica, talvez aquela com maior perspectiva de crescimento no País. Se para o turista o Brasil é uma terra de maravilhas a ser desfrutadas, a atração de viajantes brasileiros e estrangeiros é, para nós, uma forma de gerar emprego e renda, fazendo com que nosso País exerça sua vocação de grande potência econômica da América do Sul e, por que não, de todo o mundo.

 

*Leandro Domingos Teixeira Pinto é presidente da Federação do Comércio do Estado do Acre (Fecomércio-AC) e 1ª vice- presidente Financeiro da CNC