8 maio, 2018

Empreendedores precisam dialogar com o novo consumidor

Empresário Paulo Negreiros fala no evento Movin 2018

Crédito: Paulo Negreiros

Movin 2018: empresário Facundo Guerra fala sobre a importância da motivação certa para empreendedores

Encontrar a motivação certa é a chave para o sucesso de qualquer negócio. Este foi o ponto central da palestra do empresário Facundo Guerra, que abriu o primeiro bloco do Movimento para Inovação em Comércio e Serviços (Movin 2018), realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pelo (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas ) Sebrae na terça-feira (08/05), em Brasília.

No painel “Sua empresa está preparada para o novo mundo?”, Facundo Guerra falou da sua trajetória profissional como empresário da noite paulistana e de outros segmentos. Ele disse que buscou encontrar uma “identidade paulistana” que ficou perdida ao longo do tempo por conta do desenvolvimento da cidade. “São Paulo é uma cidade que ficou esquecida pelos habitantes. Para desenvolver a cidade foi preciso abrir mão dos espaços públicos”, disse.

E foi justamente essa retomada de espaços públicos, em busca de uma identidade, que o incentivou a investir em negócios que estimulassem a convivência e novas experiências em São Paulo. Ele destacou que a motivação pessoal foi certeira para o seu sucesso. “Se você investiga as perguntas certas na sua vida e percorre seu caminho em busca da resposta, você está no rumo certo”, afirmou.

Facundo destacou também a importância para o novo empreendedor em buscar, para o seu negócio, valores que não estão apoiados somente no lucro. “Se eu estou alinhado com um propósito, um objetivo, se eu sei o que faço, o lucro acontece, eu não o forço a acontecer. Quando o empreendedor começa a entender que o lucro não pode ser o orientador do negócio, outras variáveis começam a existir.”

O palestrante também criticou a falta de estímulo ao empreendedorismo no País, não apenas por ações governamentais, mas também pela própria formação da sociedade. “Empreendedorismo no Brasil não é estimulado. Somos projetados para procurar desde sempre um bom emprego, que garanta uma casa, estabilidade, um carro, uma família. Essa é uma narrativa que muitos não querem mais, e o empreendedorismo é um caminho para essas novas narrativas”, disse Facundo Guerra.

Ao fim, Facundo afirmou que é preciso estar antenado ao que o consumidor necessita e devolver em qualidade o produto ou serviço pelo qual ele paga. “O valor tem que ser duas vezes maior do que o preço que a pessoa paga. Dinheiro gasto é tempo de vida. Se esse tempo for desrespeitado, o consumidor não volta ao estabelecimento”, garantiu o palestrante, reafirmando que o empreendedorismo é uma das chaves para o desenvolvimento. “Não podemos superar a crise atual, que tem várias vertentes, com soluções do velho mundo. É preciso olhar para frente.”

O novo consumidor

No debate que se seguiu à palestra de Facundo Guerra, mediado pela diretora técnica do Sebrae, Heloísa Menezes, a gerente de Contas Governamentais do Euromonitor, Mariana Schwartzman, traçou um perfil do consumidor atual e das tendências para 2018. Ela destacou o crescimento do mercado de países emergentes, mesmo com a força do poder de compra que países amadurecidos possuem.

Mariana destacou que, por conta do envelhecimento da população, aumentou o número de consumidores com mais de 30 anos que são chefes de família, ou seja, daqueles que estão economicamente ativos e tem poder de compra e de decisão. “Por conta disso, também devem crescer os gastos com educação, por causa desse perfil do consumidor mais maduro”, afirmou.

A gerente do Euromonitor também falou que a pesquisa divide o novo consumidor em três perfis: “Detetives” (consumidores que possuem muitas informações sobre o produto e pesquisam criteriosamente antes de realizar uma compra), “Vida Limpa” (consumidores que propagam um estilo de vida saudável e responsável, que estão interessados em debater os problemas da atualidade), e “I-Designer” (clientes que querem ser os criadores dos seus produtos, unindo a experiência de criação com a compra).

A gerente de Desenvolvimento Educacional do Senac, Daniela Papelbaum, falou sobre o papel da instituição na formação de profissionais que vão lidar com esse novo perfil do consumidor. “As pessoas demandam processos eficientes e eficazes de atendimento, e a educação faz parte de todo esse movimento que temos visto”, afirmou.

Ela mostrou como é feito o trabalho do Senac para a criação de modelos direcionados para essa formação, um processo dividido em duas etapas. O Senac realiza fóruns setoriais para identificar as reais necessidades do mercado. “É uma metodologia de escuta do mercado para desenvolver cursos e ações educacionais alinhadas às expectativas e necessidades do segmento”, disse Daniela. Após esse diagnóstico, são implementadas ações efetivas para a formação dos profissionais que ela categorizou como “marcas formativas do Senac”: visão crítica, domínio técnico-científico e atitude empreendedora, colaborativa e sustentável.

O diretor do Departamento de Políticas de Comércio e Serviços (DECOS) na Secretaria de Comércio e Serviços do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Douglas Finardi Ferreira, mostrou o trabalho do Fórum de Competitividade do Varejo (FCV), composto por 17 entidades representativas, entre elas a CNC e o Sebrae. “O fórum foi criado para discutir ações convergentes de interesse de diversos setores do varejo”, afirmou Douglas.

Ele mostrou as principais entregas do Fórum para o setor varejista, como a participação nas discussões sobre a Lei de Modernização Trabalhista, sobre a regulamentação dos meios de pagamento e também sobre as perspectivas para o e-commerce no Brasil. “No Fórum, procuramos olhar nosso trabalho sempre com duas perspectivas: uma é focada no dia a dia do varejo, e a outra, olhando também para o futuro”, completou Douglas.

Para assistir a transmissão ao vivo do evento acesse: http://movin2018.com.br

Veja a galeria de fotos do primeiro dia do evento:


 

 

 

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