16 maio, 2018

Ministro da Educação defende novo Fies em audiência pública

O número de bolsas fornecidas pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) em 2018 não chega a metade do que foi disponibilizado em 2014, prejudicando a inclusão de milhares de jovens no ensino superior, disse a senadora Ângela Portela (PDT-RR) ao ministro da Educação, Rossieli Soares, durante audiência realizada na terça-feira (15/05) pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).

 

Com base em números oficiais, Ângela Portela lembrou que em 2014 foram celebrados cerca de 700 mil contratos no Fies. Número que caiu para 170 mil no ano passado e que chegará, no máximo, a 310 mil em 2018, segundo planejamento do próprio Ministério. A senadora entende que a política mais restritiva adotada pelo governo prejudica não apenas os estudantes, mas também as instituições privadas de ensino superior, pois provocou uma explosão no número de vagas ociosas.

 

— A situação de ociosidade tornou-se uma ameaça real ao ensino superior deste país. Nas instituições privadas, por causa das novas regras do Fies, a ociosidade de vagas já atingiu 56,9%. Nas instituições sem fins lucrativos também está aumentando muito, e hoje chegou a 61,3% — afirmou a senadora.

 

A senadora Fátima Bezerra (PT-RN) também criticou o novo modelo de financiamento do Fies (Lei nº 13.530/2017). Para ela, o objetivo não declarado do governo seria "diminuir ao máximo o número de jovens pobres fazendo ensino superior".

 

Rombo

O ministro Rossieli Soares respondeu que o Fies precisava ser transformado, "pois os rombos eram gigantescos". Ele lembrou que as sugestões de alterações do modelo partiram do Tribunal de Contas da União (TCU), pois a inadimplência no cumprimento dos contratos já chegava a 61%, tornando o programa insustentável.

 

Soares disse que a implantação do novo Fies é um dos grandes desafios da pasta, pois há três tipos de financiamento, sendo um deles sem pagamento de juros, para ao menos 100 mil estudantes por ano. Ele afirmou ainda que a ex-presidente Dilma Rousseff inflou o programa em 2014 por razões eleitorais, e que o fenômeno da ociosidade de vagas já se manifestava naquela época.

 

— Segundo o TCU, os rombos no âmbito da Fies são de pelo menos R$ 20 bilhões de reais. Isso ainda está sendo auditado e provavelmente gerará questionamentos aos responsáveis pelo rombo. E o novo Fies, a despeito das dificuldades que estamos de fato enfrentando em sua plena implantação, está no rumo certo, pois mais de 300 mil estudantes o procuraram — detalhou.

 

Ele acrescentou que há um comitê gestor destinado ao aprimoramento do Fies, mas o Ministério da Educação não deixará de lado o princípio da responsabilidade fiscal, pois "não quer deixar dívidas para o próximo governo".

Fonte: Agência Senado

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