31 July, 2018

Exportações devem ter crescimento de 3,1% em 2018

Expectativada AEB é de US$ 224 bilhões no faturamento das exportações

Crédito: Guarim de Lorena

Expectativada AEB é de US$ 224 bilhões no faturamento das exportações

Em 2018, as exportações brasileiras devem chegar a US$ 224,445 bilhões, um aumento de 3,1% em relação ao ano passado, segundo projeções da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) sobre a balança comercial para este ano.

O crescimento das exportações, apesar da recessão e do baixo crescimento econômico brasileiro nos últimos anos, deverá ser possível por conta da forte elevação das cotações de petróleo no primeiro semestre de 2018, da quebra da safra de soja na Argentina, do aumento dos preços de óleos e combustíveis e das vendas de plataformas de petróleo.

Segundo a análise da entidade, as importações devem atingir US$ 168,130 bilhões, com expansão de 11,5% comparado com o mesmo período. Os números indicam um superávit comercial de US$ 56,315 bilhões, porém com queda de 15,9%. “Mesmo sendo menor, pode-se avaliar como um robusto superávit e que pode ser comemorado, mas sem esquecer que será obtido com baixos volumes de exportação e importação”, destaca José Augusto de Castro, presidente da AEB.

O levantamento projeta ainda uma corrente de comércio de US$ 392,575 bilhões para 2018. Será maior que os US$ 368,499 bilhões apurados em 2017, mas ainda longe do recorde de US$ 482,292 bilhões, obtidos em 2011.

As exportações brasileiras de manufaturados, de acordo com os dados da AEB, ficarão estagnadas pelo quinto ano consecutivo. “Nossas exportações ficarão inferiores aos valores de 2007, especialmente após a crise argentina deflagrada no primeiro semestre de 2018”, frisa José Augusto de Castro.

A avaliação também não é animadora para 2019, pois a Argentina, principal destino destas exportações, terá baixo crescimento econômico ou uma possível recessão, com elevada desvalorização cambial, superior a 50%, déficit comercial e desemprego, que impactarão negativamente suas importações, afetando diretamente as exportações brasileiras de manufaturados. “Em 2017, a Argentina recuperou o posto de maior país importador de manufaturados brasileiros, perdido em 2014 para os Estados Unidos. Porém, a crise naquele país reverterá o cenário positivo do primeiro semestre de 2018, voltando à segunda posição”, explica Castro.

O presidente da AEB elenca também uma série de situações que poderá causar reflexos no comércio internacional, entre elas os impactos gerados pela guerra comercial envolvendo EUA, China e União Europeia; a crise nuclear EUA x Irã; os fatores com reflexos nas cotações e quantum das commodities; além da grave crise econômica, comercial e cambial da Argentina, do reduzido crescimento do PIB brasileiro e da desvalorização do real.

Cenários

A concentração nos três principais produtos de exportação crescerá ainda mais em 2018, com soja, petróleo e minério de ferro atingindo recorde de 30,5%, consolidando a elevada dependência das commodities nas exportações e no superávit comercial. Esses dados reforçam a necessidade urgente de reformas estruturais para reduzir o Custo-Brasil e gerar competitividade nas exportações de manufaturados. “Hoje entre os dez principais produtos exportados pelo Brasil, nove são commodities e apenas um, automóveis, é manufaturado”, destaca Castro.

A soja, pelo quarto ano consecutivo, será o principal produto de exportação do Brasil, agora com o petróleo na segunda posição e minério de ferro em terceiro. Até a terceira semana de julho, foram embarcados 54 milhões de toneladas de soja em grão, representando 76% dos 71 milhões de toneladas previstas para embarque em 2018.

O documento divulgado pela AEB projeta que a taxa cambial para o fim de 2018 será diretamente influenciada pelo nível dos juros nos Estados Unidos e pelo resultado das eleições presidenciais no Brasil. A perspectiva é que oscile entre o mínimo de R$ 3,50 e R$ 4,00, com impactos limitados e localizados nas exportações e importações.

“O elevado Custo-Brasil mantém o País excluído das cadeias globais de valor e, indiretamente, provoca seu isolamento comercial, resultando em baixo volume de exportações de produtos manufaturados e perda de empregos qualificados”, salienta Castro, que acrescenta ainda que “os dados projetados para 2018 sinalizam que o Brasil continuará ocupando, respectivamente, a 25ª posição no ranking de exportação e 27ª, na importação, além de manter a estagnada participação de 1,1% nas exportações mundiais”, conclui.

 

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