15 December, 2016

Retomada do crescimento é o grande desafio de 2017, dizem especialistas

Metas e desafios foram discutidas no evento

Crédito: Joanna Marini/ CNC

Carlos Thadeu de Freitas economista da CNC crê que o final de 2017 será um pouco melhor do que o de 2016

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A retomada do crescimento da economia foi o foco do debate promovido em 14 de dezembro, em Brasília, pelo jornal Correio Braziliense, com apoio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O encontro contou com a presença do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de economistas, como o chefe da Divisão Econômica da CNC, Carlos Thadeu de Freitas, do Secretário Executivo do Programa de Parceiras de Investimentos (PPI), Moreira Franco, e de representantes do empresariado (CNC, CNA, CBIC e ABINEE).

Uma das questões tratadas foram as dificuldades enfrentadas pelo País diante da crise econômica e os movimentos estratégicos que o governo está definindo para frear os juros, promover a superação da recessão e favorecer expansão econômica, como a recém-aprovada Proposta de Emenda Constitucional nº 55, que limita os gastos públicos.

Em análise sobre o momento de recessão, o economista-chefe da Divisão Econômica da CNC, Carlos Thadeu de Freitas, explicou os problemas enfrentados pelo setor de comércio e serviços, como o fechamento de mais de 150 mil lojas este ano, o aumento da dívida familiar e como os altos juros têm prejudicado as pessoas e a saída do País da chamada recessão.

Ele pleiteou ao governo a criação de linhas especiais de crédito, utilizando-se de parte dos compulsórios bancários para ajudar empresas e famílias a quitarem suas dívidas. “Em todos os nossos indicadores, vemos alto grau de endividamento da sociedade.”  

“O afastamento da inflação do centro da meta (4,5%) e o risco de ela se desgarrar além da variação de 2 pontos percentuais para cima levaram o Banco Central a manter taxas de juros muito elevadas. Se tivesse conseguido manter a inflação, nos últimos dois anos, dentro dos limites da meta ajustada (máximo de até 6,5%), talvez o Banco tivesse tido mais fôlego para reduzir as taxas de juros (Selic) mais rapidamente, de modo a permitir uma recomposição mais adequada dos balanços das famílias e das empresas”, disse Thadeu.

A necessidade de fazer o IPCA convergir para o centro da meta de 4,5%, em 2017, tem como resultado a manutenção de taxas de juros muito elevadas, afetando negativamente a atividade econômica. Aparentemente, teremos de conviver com juros elevados até que a inflação convirja para o centro da meta.

Segundo ele, para julgar o comportamento do Banco Central, há de se levar em consideração que “o processo de queda da inflação está sendo mais lento agora. Soma-se aos aumentos de preços que não estavam no radar do BC, preços administrados, o fato de os Estados estarem aumentando seus impostos, com reflexo nos preços”.

Segundo Carlos Thadeu, há ainda outro detalhe importante: a dívida pública do Brasil está em processo de crescimento muito rápido. “Todas essas reformas são feitas porque é real a possibilidade de o País quebrar novamente daqui a uns anos; caso contrário, não haveria necessidade de fazer todas essas reformas das quais estamos tratando aqui, se não houvesse essa possibilidade no futuro”, explicou.

Em sua conclusão, Carlos Thadeu definiu o momento como perverso: “Estamos numa trajetória perversa, é obvio que a PEC 55 vai ajudar e muito mais ainda a reforma da Previdência. Mas, se a economia voltar a cair no próximo ano, vai prejudicar novamente a trajetória da dívida pública, e o consumo vai cair muito mais do que o esperado. Voltaria, então, aquele fantasma da dominância fiscal, quando a política monetária perde totalmente o efeito”.

Mesmo com todas as questões apresentadas, Carlos Thadeu disse que acredita que no ano que vem as atividades do comércio serão um pouco “menos ruins” do que este ano.

Ministério da Fazenda e as medidas econômicas

Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a aprovação da PEC 55 é fundamental para estancar a crise doméstica, levando em conta principalmente o atual desarranjo das contas públicas, criado a partir do momento em que o governo começou a absorver cada vez mais recursos da sociedade, principalmente através do financiamento da dívida pública. “O crescimento exagerado da dívida acabou gerando insegurança e dúvidas sobre se o Brasil iria conseguir quitá-la, motivo da grande queda de confiança. Mas, no momento em que foram anunciadas novas medidas, os indicadores de confiança começaram a mostrar recuperação importante”, afirmou Meirelles.

Meirelles disse considerar essa etapa vencida, mas existem diversas outras etapas. “Anunciaremos, assim que promulgada a PEC 55, uma agenda positiva com diversas outras medidas de reformas da chamada microeconomia, simplificação da vida das empresas, das pessoas, enfim uma série de medidas, visando aumentar a capacidade do País de produzir para poder crescer com maior velocidade.”

Segundo o Ministério da Fazenda, a previsão de crescimento do PIB em 2017, levando em conta a queda deste ano que deixou o País em um patamar muito baixo de competição e atuação econômica, será da ordem de 2,8%.

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