22 junho, 2017

Saques nas contas inativas do FGTS já injetaram R$ 7,2 bilhões no varejo

Do total de R$ 16,6 bilhões sacados das contas inativas entre março e abril dest

Crédito: Agência Brasil

Do total de R$ 16,6 bilhões sacados das contas inativas entre março e abril deste ano, 43% chegaram ao varejo

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Levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que os recursos provenientes das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) provocaram, em março e abril, um impacto positivo de R$ 7,2 bilhões nas vendas do comércio varejista brasileiro. No acumulado do bimestre, esse valor corresponde a 43% do montante sacado (R$ 16,6 bilhões, segundo a Caixa Econômica Federal) e a 6,2% das vendas nos segmentos positivamente impactados. Somente no mês de abril, quando foram autorizados os saques para os beneficiários nascidos entre março e maio, R$ 11,1 bilhões foram sacados, correspondendo a mais do que o dobro dos R$ 5,5 bilhões retirados em março e elevando em R$ 4,56 bilhões o faturamento do varejo.

Dentre os sete segmentos do varejo que foram impactados positivamente pelos recursos do FGTS no bimestre, três respondem por 80% deste resultado: vestuário e calçados (R$ 2,9 bilhões), hiper e supermercados (R$ 2 bilhões) e móveis e eletrodomésticos (R$ 802,5 milhões).

“Apesar de os recursos oriundos das contas inativas do FGTS estarem cumprindo papel relevante na reativação do consumo no Brasil, a recuperação parcial do varejo ao longo do ano se insere em um quadro mais amplo de desaceleração dos preços e melhoria nas condições de crédito”, afirma Fabio Bentes, economista da CNC. Ele ressalta, no entanto, que a consolidação do setor como um todo depende do crescimento geral da atividade econômica e seus reflexos positivos sobre as condições do mercado de trabalho.

Comparação por período

Com alta de 11,6% e 10,7% em relação a março e abril do ano passado, respectivamente, o ramo de vestuário e calçados segue como o mais impactado positivamente, registrando aumentos expressivos no comparativo anual. Esse ritmo de vendas não era percebido por esse ramo do varejo desde os primeiros meses de 2010 (+11,9%).

Nos hiper e supermercados, a alta de 3,5% em relação a abril de 2016 foi a maior nesse tipo de comparação para os últimos três anos. Já as vendas no ramo de móveis e eletrodomésticos, que haviam se destacado no mês de março, mantiveram-se estáveis (-0,1%), o que não impediu que esse segmento apurasse, no bimestre analisado, seu melhor resultado em três anos.

No bimestre março-abril de 2017, seis dos dez ramos do varejo ainda registraram quedas nos volumes de vendas em relação ao mesmo período do ano anterior. Embora o cenário corrente do setor ainda seja predominantemente negativo, observou-se nesse período o menor grau de disseminação de quedas desde o bimestre entre dezembro de 2014 e janeiro de 2015.

Menor variação dos preços dos bens de consumo

De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), os preços médios dos bens de consumo duráveis registraram oito quedas mensais nos últimos nove meses encerrados em maio. Nos últimos 12 meses, esse grupo de produtos acumulou variação de preços negativa (-1,4%). Já os produtos semiduráveis, caracterizados por um predomínio de itens de vestuário, acumularam variação de 2,7% nos últimos 12 meses, percentual significativamente abaixo daquele observado em maio de 2016 (+6,2%). Na média, o IPCA apurou alta de 3,9 % no período.

Empréstimos e financiamentos mais baratos

De forma complementar à evolução mais favorável dos preços, o recuo no valor médio das prestações de empréstimos e financiamentos contraídos pelos consumidores tem contribuído para a reação das vendas em segmentos que dependem das condições de crédito.

Cálculos da CNC mostram que, considerando-se a taxa e os prazos médios vigentes nas operações com recursos destinados às pessoas físicas, o valor médio dos empréstimos e financiamentos teve recuo real de 8,4% nos últimos 12 meses. Segundo dados do Banco Central, no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em abril de 2017, a concessão de crédito com recursos livres às pessoas físicas apresentou avanço de 2,3% em relação ao mesmo período do ano anterior – maior taxa em um ano e meio.

O estudo da CNC baseia-se no comportamento das vendas e dos preços no varejo medidos através da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), em indicadores do mercado de trabalho disponibilizados mensalmente através do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), além do comportamento da concessão de crédito ao consumidor divulgado mensalmente pelo Banco Central.

Confira abaixo o estudo na íntegra.

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