7 December, 2016

Especialistas debatem formação docente em seminário internacional

Promovido pela Câmara dos Deputados, Seminiário Internacional de Formação Docent

Crédito: Felipe Maranhão/CNC

Promovido pela Câmara dos Deputados, Seminiário Internacional de Formação Docente contou com apoio institucional da CNC

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Especialistas na área de Educação do Brasil e do exterior participaram, em 6 de dezembro, na Câmara dos Deputados, do Seminário Internacional de Formação Docente, promovido pela Comissão de Educação da Câmara, presidida pelo deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), em parceria com a Frente Parlamentar Mista da Educação, coordenada pelo deputado Alex Canziani (PTB-PR). O evento contou ainda com o apoio institucional da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), representada pelo seu vice-presidente Adelmir Santana e pelo chefe da Assessoria Legislativa da entidade, Roberto Velloso.

Adelmir Santana (Foto: Billy Boss/Câmara dos Deputados)Na abertura, Adelmir Santana (foto à esquerda) saudou parlamentares, palestrantes e educadores presentes e parabenizou a Confederação e a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados pela iniciativa. “Vejo com bons olhos o apoio da CNC à realização do seminário por entender que o Brasil possui uma dívida enorme com a área educacional. Estou certo que temos exercido nosso papel na formação profissional por meio de ações do Sesc, uma instituição do Sistema S, em que temos a preocupação com a formação e o aperfeiçoamento dos professores e melhoria na qualidade do seu trabalho”, disse o vice-presidente da CNC.

O presidente da Frente Parlamentar da Educação, deputado Alex Canziani (PTB-PR), observou que os resultados do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) neste ano apresentaram queda de pontuação nas três áreas avaliadas: Ciências, Leitura e Matemática. O Brasil também caiu no ranking mundial e ficou na 63ª posição em Ciências, na 59ª em Leitura e na 66ª colocação em Matemática, entre 70 países avaliados. “O curso de Pedagogia está entre os menos concorridos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e uma das questões fundamentais para isso é a baixa atratividade da carreira e o baixo salário”, lamentou. “Precisamos estar em alerta para o tipo de profissional que devemos ter para vencermos os desafios do século XXI”, afirmou Canziani.

O evento trouxe a Brasília três referências internacionais: Ira Lit, doutor em Estudos Curriculares e Formação de Professores da Universidade de Stanford (EUA), Anne Lin Goodwin, vice-reitora e professora de Educação da Teachers College (Columbia University – EUA), e Tony Devine, vice-presidente da Divisão de Educação da Fundação Global Peace. O público-alvo do debate envolveu parlamentares, gestores federais, estaduais e municipais, profissionais da área de educação, entre outras organizações com interesse e atuação no tema. 

Atrativos para o ingresso na carreira docente

O seminário foi dividido em três temas: formação inicial, formação continuada e o papel do professor na formação dos cidadãos no século XXI. Ira Lit abriu a série de palestras e apresentou os métodos utilizados na Universidade de Stanford para a formação de professores de qualidade. Lit destacou, no entanto, que um método de sucesso não deve necessariamente se tornar padrão. “Os Estados Unidos são um país muito diferente do Brasil, inclusive, são dois países com contextos muito heterogêneos. Portanto, as práticas de formação de professores não devem ser as mesmas, mas os princípios de excelência devem ser os mesmos e podem ser passados adiante”, disse ela.

A vice-reitora Anne Lin Goodwin também apresentou os princípios-chave aplicados na Universidade de Columbia para a formação continuada de professores e reforçou que ideias boas e práticas básicas podem ser aplicadas em diversos lugares. "É preciso garantir que os professores que já estão em sala de aula estejam comprometidos com o desenvolvimento contínuo para que o profissional esteja sempre atualizado. Precisamos formar professores aptos a tomar decisões apropriadas ao contexto em que se encontram.”

Tony Devine, por sua vez, ressaltou as habilidades que os professores precisarão ter para se adequar aos princípios do século atual e afirmou que é preciso transformar a cultura das escolas para que a educação seja cada vez mais relevante. “A criatividade, capacidade de desenvolver relações interpessoais, respeito às diferenças e estar apto para resolver problemas práticos são características que estão sendo cada vez mais valorizadas. Hoje em dia, ter um grande conhecimento teórico não é o suficiente.”

Presidente executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz fez um apelo para que a reforma do ensino médio inclua a formação em educação como meio de incentivar o interesse dos jovens pelos cursos de licenciatura. “Apenas 2% dos alunos que estão no ensino médio ingressam na carreira docente e, infelizmente, não são os melhores. Não podemos simplesmente naturalizar os resultados ruins nos exames nacionais e internacionais, a educação deve se tornar um projeto de nação e o professor o principal profissional do País”, disse.

Fernando Luiz Abrucio, coordenador do Mestrado e Doutorado em Administração Pública e Governo da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), concordou com Priscila Cruz. “Um terço dos jovens brasileiros, ainda no ensino médio, coloca a profissão docente como um possível trabalho. Esse número se reduz radicalmente quando esses alunos prestam o exame para ingressar na universidade. Isso ocorre porque não há políticas estratégicas para atrair os melhores alunos para dar aula.”

Abrucio também mencionou a falta de profissionais docentes em cidades interioranas. “O Brasil é um país extremamente desigual, em renda e capital humano. É preciso desenvolver uma política articulada entre o governo Federal, Estados e Municípios para captar professores que vão dar aula não só em regiões metropolitanas, mas também no interior de Roraima, por exemplo, onde há um enorme déficit de profissionais”, concluiu.

Presidente do Conselho Nacional de Educação, Eduardo Deschamps seguiu a mesma linha de discurso. “Não dá mais para imaginar que um simples concurso de ingresso na carreira ou no quadro docente das secretarias estaduais e municipais seja suficiente para a gente poder suprir o mercado. Teremos de criar mecanismos novos, de valorização desse profissional”, argumentou.

Estratégias do MEC para atrair jovens

Carmem Neves, mestre em Educação e Diretoria de Formação de Professores da Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), afirmou que sua equipe trabalha cada vez mais na busca de parcerias públicas e privadas para amparar o profissional docente com cursos e suporte.

O secretário de Educação Básica do MEC, Rossieli Soares, também informou que o ministério está atento às universidades particulares, responsáveis pela formação de mais de 80% dos professores do País. "Há, muitas vezes, uma distância muito grande entre o que o professor aprende na faculdade e o que ele vai realmente poder usar na sala de aula. A gente precisa trazer a prática para a formação do docente, que isso seja um norte”, apontou.

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