7 November, 2017

Seminário de Educação reúne especialistas do Brasil e do exterior

Crédito: Edson Chaves Filho

Adelmir Santana falou sobre grande preocupação com “a imensa dívida social brasileira no que diz respeito à educação"

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Especialistas brasileiros e europeus participaram na terça-feira (07/11), em Brasília, do Seminário Internacional de Educação – A Importância da Matemática, promovido pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados e a Frente Parlamentar Mista de Educação, em parceria com o Sistema CNC-Sesc-Senac. Principais interessados, pesquisadores, professores e estudantes de nível médio e universitários ocuparam o auditório Nereu Ramos da Câmara.

Representante do presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Antonio Oliveira Santos, o vice-presidente da entidade Adelmir Santana disse que há uma grande preocupação com “a imensa dívida social brasileira no que diz respeito à educação, o que inclui a matemática”. São 13 milhões de analfabetos, relatou, acrescentando que “não há caminhos para solucionar os grandes problemas do País que não passem, antes, pelo fortalecimento da educação”.

“As deficiências flagrantes, em especial no ensino da matemática”, segundo Adelmir Santana, “têm que ser atacadas se quisermos pensar numa nação desenvolvida”, acrescentou. Por isso, a CNC apoiou o seminário e aplaudiu a iniciativa de trazer especialistas estrangeiros, que têm muito a contribuir para a evolução do nosso ensino.

Sesc

Palestrante no primeiro painel, A Matemática na Base Nacional Comum, o coordenador de Matemática da Escola Sesc de Ensino Médio, do Rio de Janeiro, Ulício Pinto Junior, classificou como uma iniciativa significativa um fórum que reúne referências no ensino da matemática no Brasil e no exterior. “Os professores têm muito a ganhar com experiências como essa, já que podem ajudar a repensar as práticas atuais, elevando o nível da educação, particularmente o ensino da matemática.”

Em sua fala, Ulício, professor há 26 anos no nível básico, disse que estava trazendo a debate no seminário o olhar de centenas de milhares de professores que vão pôr em prática o projeto, atualmente em análise no Conselho Nacional de Educação, da Base Nacional Comum Curricular (BNCC - veja abaixo). “Com essa visão, pretendemos enriquecer a discussão de um tema tão delicado”, enfatizou.

Para ele, a experiência bem-sucedida da Escola Sesc, com investimento focado, educação em horário integral, democrática – por abrigar alunos de vários estados e níveis sociais diferenciados – e com políticas de ensino bem direcionadas, pode ser disseminada. “Mais do que isso, pode ser útil à consolidação da Base Curricular”, concluiu.

Já o professor de matemática da Escola Sesc Charles Soares Pimentel, que falou no painel O Futuro do Ensino da Matemática, afirmou que o seminário foi positivo por permitir refletir sobre novas possibilidades de ensino. Lembro que as avaliações internacionais têm mostrado que os jovens brasileiros enfrentam muitas dificuldades na disciplina. Por isso, em sua avaliação, é animador ver deputados e senadores preocupados com o problema, realizando um evento que, ao mesmo tempo que traz à luz as dificuldades existentes, busca visões que possam contribuir para superar os baixos índices do Brasil hoje.

Em sua palestra, Charles ressaltou a questão da formação do professor de matemática, que, a seu ver, na licenciatura não tem sido focada para a educação básica. Fazer essa correção é peça fundamental para que se dê uma reviravolta nessa dificuldade que os jovens têm com a matemática na sala de aula. “O Sesc tem grande preocupação com a formação docente, a forma como vai lidar com o aluno e, por isso, promove experiências entre professores da rede de todo o País.”

Visão britânica

A doutora Sue Pope, diretora associada do Departamento de Desenvolvimento Profissional e Inovação Educacional da Universidade de Manchester, na Inglaterra, trabalha com a análise de currículos em vários países para avaliar o papel do professor no processo de ensino-aprendizagem. “No papel, o currículo (de matemática) do Brasil é maravilhoso. E existem grandes ideias para desenvolver. Mas, infelizmente, há muitas etapas ainda a serem cumpridas até se chegar a um estágio respeitável”, disse.

Fundamentalmente, declarou Sue, é preciso professores capacitados, com formação continuada e avaliação a partir da apresentação de resultados. “Se for assim, todo estudante que deixar a escola estará tecnicamente habilitado e com confiança para competir no mercado de trabalho.”

Já a professora finlandesa Maarit Rossi falou sobre sua experiência à frente da Paths to Math, uma instituição que fundou focada no ensino diferenciado de matemática num país onde o sistema educacional é classificado entre os melhores do mundo. Basicamente, a metodologia de ensino não está centrada no professor, mas no aluno.

“Para chegarmos a essa estratégia revolucionária, procuramos o equilíbrio entre vários métodos de ensino e aprendizagem, buscando essencialmente trazer o mundo real para a sala de aula”, explicou. De acordo com Maarit, aos alunos são oferecidas inúmeras possibilidades de trabalhar com problemas matemáticos em um ambiente de aprendizado moderno e, muito importante, solidário, que lhes permite testar e interpretar soluções.

Outros palestrantes

Também falaram no seminário, coordenado pelo presidente da Frente Parlamentar Mista de Educação, deputado Alex Canziani (PTB-PR), Kátia Stocco Smole, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo; Yuan Jin Yun, doutor em Matemática Pura e Aplicada da Universidade do Paraná; e Artur Ávila, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França. O evento contou ainda com as presenças do chefe da Assessoria Legislativa da CNC, Roberto Velloso; da presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, senadora Lúcia Vânia (PSB-GO); e do secretário adjunto do Ministério da Educação, Felipe Sartori Sigollo.

BNCC

A Base Nacional Comum Curricular é um documento de caráter normativo que define o conjunto de aprendizagens essenciais a ser desenvolvido ao longo das etapas e modalidades da educação básica. A Base estabelece conhecimentos, competências e habilidades que se espera que todos os estudantes tenham.

Em abril de 2017, o Ministério da Educação entregou a versão final da Base Nacional Comum Curricular ao Conselho Nacional de Educação, que vai elaborar parecer e projeto de resolução. A partir da homologação da BNCC, começa o processo de formação e capacitação dos professores e o apoio aos sistemas de Educação estaduais e municipais para a elaboração e adequação dos currículos escolares.

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