21 maio, 2018

Especialistas em meio ambiente debatem desenvolvimento sustentável

Crédito: Edgar Marra

Encontro debateu também o atual estágio dos acordos setoriais de logística reversa

Especialistas na área ambiental, empresários e representantes de Federações do Comércio do País debateram, na sexta-feira (18/05), os avanços das ações do governo e do setor privado em favor do desenvolvimento sustentável, durante a 16ª reunião do Grupo Técnico de Trabalho Meio Ambiente (GTT-MA). Principal convidado da reunião, o secretário nacional de Articulação Social da Presidência da República, Henrique Villa Ferreira, conclamou os empresários a se engajar à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Ao abrir a reunião, Wany Pasquarelli, chefe da Assessoria de Gestão das Representações, que coordena o GTT-MA, disse que a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) tem sido protagonista na mobilização do empresariado do comércio, muito por conta de sua credibilidade e suporte às iniciativas institucionais. “O Brasil ainda vive num cenário instável, tanto na economia quanto na política. Apesar disso, houve progressos sensíveis na questão ambiental, e o GTT-MA tem sido protagonista entre os segmentos envolvidos com o tema.”

A mobilização empresarial tem avançado com consistência, enfatizou, observando-se um engajamento cada vez maior ao longo dos sete anos de existência do Grupo de Meio Ambiente. “Estamos muito alinhados com as diretrizes governamentais em relação ao desenvolvimento sustentável, cooperando para a execução dos 17 objetivos descritos na Agenda 2030.”

Conforme Wany, os negócios sustentáveis fazem parte de um novo modelo empresarial e o ambiente competitivo exige que as empresas tenham uma mudança de postura na redução dos impactos ambientais, por meio de práticas que favoreçam o meio ambiente e gerem benefício econômico e social sem a necessidade de investimentos elevados.

No meio corporativo, segundo ela, essa colaboração da CNC é percebida, especialmente pela participação efetiva na construção de políticas públicas, com o suporte de profissionais com expertise nos temas de interesse.

Um ótimo exemplo desse envolvimento do setor privado, de acordo com a executiva da Confederação, é o programa realizado pela Reciclus, associação sem fins lucrativos que reúne os principais produtores e importadores de lâmpadas com o objetivo de promover o Sistema de Logística Reversa. Com o seu trabalho, como descrito em seu objetivo, a Reciclus lidera um movimento, envolvendo sociedade e cadeia produtiva, de coleta de lâmpadas fluorescentes pós-consumo e sua destinação final ambientalmente adequada.

“Foram muitos anos debatendo em torno da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), e os empresários vêm tendo uma atuação essencial e dando contribuições realmente muito efetivas, não só na questão da sustentabilidade. Em contrapartida, o governo reconhece isso e procura os empresários para que participem de suas iniciativas em prol da sustentabilidade”, concluiu Wany.

Acordos setoriais

O superintendente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Marcio Milan, falou sobre os resultados da primeira fase do Acordo Setorial para Logística Reversa de Embalagens em Geral, com efeitos relevantes, de acordo com os objetivos previstos. Informou que, na primeira fase, entre 2012 e 2017, foram investidos pelo setor empresarial R$ 2,8 bilhões em triagem, pontos de entrega voluntária (PEV) de resíduos, campanhas, novas tecnologias, aumento da capacidade instalada, treinamento e reciclagem. Além disso, foram capacitadas 802 cooperativas e instalados 2.082 PEVs – a meta eram 640.

A segunda fase do Acordo, que vai de 2018 a 2022, é mais abrangente. A proposta é aumentar em 28% o recolhimento de resíduos, priorizando ações estruturantes nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Os investimentos e as quantidades de embalagens recuperadas passarão a ser acompanhados anualmente pela Coalizão – iniciativa apoiada pela CNC em que 22 entidades, que reúnem milhares de empresas, se comprometem a ter um plano de gestão de resíduos sólidos conforme o contexto da logística reversa – para a verificação do cumprimento dos compromissos e metas.

Lâmpadas

O Acordo Setorial de Lâmpadas foi o tema de William Gutierrez, gerente de Operações da Reciclus, organização sem fins lucrativos que atua como entidade gestora do processo de coleta dos resíduos. Segundo ele, uma das principais dificuldades para implementar o programa Reciclus é o fato de as grandes redes não abrirem pontos de coleta em grande quantidade.

Gutierrez explicou como as lojas podem participar: cedendo espaço de 1m² no interior do estabelecimento para alocação do coletor.

Lojas que não tiverem pontos de entrega voluntária (PEV) podem participar por meio de ações de divulgação do programa, educação e orientação ao consumidor, indicando, por exemplo os pontos mais próximos ou o site da Reciclus para localização dos endereços.

No primeiro ano de funcionamento, foram implementados mais de 500 pontos em estabelecimentos de todo País. No período, foram recolhidas 43 mil toneladas de lâmpadas.

Óleos lubrificantes

Bernardo Souto, advogado da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), relatou o estágio da negociação do aditivo da logística reversa de Embalagens Plásticas Usadas de Óleos Lubrificantes.

Ele explicou como está o programa Jogue Limpo, que contrata empresas operadoras logísticas, as quais são responsáveis pelo cadastramento de geradores, coleta e recebimento das embalagens e administração das centrais de armazenagem. Conforme Souto, 4.221 municípios em 16 estados foram atendidos até agora.

Há uma expansão prevista para a segunda e a terceira fase do programa, que ampliará a base geográfica para atuar nas regiões Centro-Oeste e Norte e nos Estados do Maranhão e Piauí. Da mesma forma, serão ampliados os segmentos atingidos para incluir oficinas, lojas de peças, de troca de óleo, centros automotivos e supermercados, entre outros.

Outros participantes

Também fizeram palestra na reunião do GTT-MA Ronald Thomé, sócio proprietário da Energia Pura, fornecedora de equipamentos movidos à energia solar. Há 25 anos no mercado, a empresa trabalha “respeitando os limites naturais do meio ambiente e eliminando gradualmente fontes de energia sujas e não renováveis”.

Thomé acredita em desenvolvimento autossustentável, “desvinculando o crescimento econômico do consumo de combustíveis fósseis, visando uma melhor qualidade de vida e pensando no futuro de nossas gerações”. A Energia Pura realizou projetos pioneiros, como os primeiros prédio e prefeitura do Brasil a usar energia eólica. A empresa também forneceu os aerogeradores do primeiro módulo brasileiro na Antártica: o Criosfera.

Cristiane Cortez, da Fecomércio-SP, falou sobre a plataforma para acompanhamento dos sistemas de logística reversa. Fernanda Ramos, da Assessoria de Comunicação da CNC, e Mário Saladini, do Departamento Nacional do Sesc, detalharam o novo modelo de implantação conjunta do Programa Ecos de Sustentabilidade, que vem sendo efetuado gradativamente em todo o País.

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