18 July, 2018

Brasil precisa aumentar competitividade internacional

Vitor Sawczuk, Mauro Laviola, José Augusto de Castro e José Di Bella Filho no la

Crédito: Márcio Roberto/AEB

Vitor Sawczuk, Mauro Laviola, José Augusto de Castro e José Di Bella Filho no lançamento do Enaex 2018

A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) promoveu o lançamento oficial da 37ª edição do Encontro Nacional de Comércio Exterior – Enaex 2018, que terá o tema “Desafios para um comércio exterior competitivo”. O lançamento aconteceu em 16 de julho, no auditório da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), no Rio de Janeiro.

O evento reuniu cerca de 150 empresários do setor e trouxe palestras que abordaram as principais preocupações para a atividade de comércio exterior. O vice-presidente da AEB, Mauro Laviola, falou sobre o tema “Acordos comerciais mirando a competitividade do produto brasileiro”. Laviola abordou, de forma ampla, os impasses que têm dificultado a participação do Brasil em acordos que poderiam dar um incremento à competitividade dos produtos brasileiros. “Podemos ser produtivos, mas não temos competitividade no mercado internacional”, afirmou.

Para o vice-presidente da AEB, governo e empresários brasileiros conhecem todo o aparato internacional e regional que rege o comércio, os serviços e as demais disciplinas que compõem o quadro institucional dos negócios no mundo. Disse ainda que o País dispõe de mecanismos internos dedicados ao mercado internacional, em contínuo processo de aperfeiçoamento e permanente acompanhamento do quadro evolutivo das negociações internacionais. “Porém, a participação brasileira no comércio mundial há muito não evolui do percentual médio de 1% verificado nos últimos anos, em flagrante contraste com o tamanho da sua economia”, frisou.

O setor portuário, cujos terminais geram cerca de 90 mil empregos diretos e indiretos e que têm papel fundamental na competitividade das exportações, também foi alvo de discussão durante o encontro. Na ocasião, o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), José Di Bella Filho, fez um relato das dificuldades e dos desafios enfrentados, assim como um balanço do setor no período de 2016/2017.

“A questão regulatória, a falta de investimentos em infraestrutura e as questões operacionais devido à baixa produtividade dos equipamentos são alguns dos gargalos que temos enfrentado e que minam a competitividade do setor”, ressaltou Bella Filho, que destacou também o alto valor da praticagem no Brasil e a cobrança de inúmeros tributos, que causam impactos operacionais e no investimento setorial. “O setor portuário tem que ser o elo de eficiência da cadeia logística, mas não tem merecido a devida atenção”, enfatizou.

Em sua apresentação, o presidente da AEB, José Augusto de Castro, tratou dos cenários políticos, econômicos e comerciais mundiais e seus impactos nas exportações brasileiras. Castro explicou que o Brasil vem perdendo mercado, apesar dos constantes superávits em sua balança comercial, pois hoje é um exportador basicamente de commodities, cujos preços são balizados por cotações do mercado internacional, além de não contarem com nenhum valor agregado. “Superávit não é importante, o que importa é a corrente de comércio, e, hoje, o presente do Brasil é o passado, já que a corrente de comércio de 2017 foi menor do que o fechamento de 2011”, destacou.

Sobre os impactos no Brasil da guerra comercial entre Estados Unidos, China e União Europeia , José Augusto de Castro acredita que haverá queda nos preços internacionais das commodities nos anos de 2018 e 2019. A crise da Argentina – o principal comprador dos produtos manufaturados brasileiros –, a elevação do frete, a revogação do mecanismo fiscal do Reintegra e a reoneração da folha de pagamentos são alguns dos pontos apontados por Castro como fatores responsáveis pelo alto custo da produção e que impedem os produtos manufaturados brasileiros de competir no mercado americano, em substituição aos chineses. “O Brasil tem enfrentado muitos desafios para se manter no mercado internacional, mas, se não fizer o dever de casa, resolvendo as questões referentes ao Custo Brasil, será facilmente afetado pelo comércio mundial em transformação”, acentuou o presidente da AEB.

O diretor de Operações da Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias S.A. (ABGF), Vítor Sawczuk, em sua apresentação fez um breve histórico sobre a entidade, que foi criada em 2012 pela Lei nº 12.712 com a finalidade, entre outras, de administrar fundos garantidores e prestar garantias às operações de riscos diluídos em áreas de grande interesse econômico e social.

Sawczuk aproveitou a ocasião para falar sobre o seguro de crédito à exportação, que oferece garantia para operações de crédito à exportação contra riscos comerciais, políticos e extraordinários, obrigações contratuais e riscos de fabricação, que possam afetar as exportações brasileiras de bens e serviços. Destacou a importância do seguro da ABGF que oferece garantia às operações de exportação de micro, pequenas e médias empresas (MPME).

Sobre o Enaex

O encontro, que é o mais importante fórum de diálogo entre empresários e governo, reunirá representantes de toda a cadeia de negócios do comércio internacional para discutir as principais questões que envolvem o setor, visando melhorar a competitividade dos produtos brasileiros.

Estão previstos workshops, painéis e debates sobre os principais temas relacionados ao setor. Os inscritos terão a oportunidade de participar de despachos executivos e reuniões, assim como visitar a área de exposição com estandes de empresas, entidades, órgãos públicos e mídias especializadas.

O Enaex 2018 tem o patrocínio da CNC e será realizado nos dias 15 e 16 de agosto, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site www.enaex.com.br.

 

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