24 November, 2016

Enaex 2016: redução de custos é o caminho para competitividade

Painel de abertura do Enaex 2016

Crédito: Carolina Braga/CNC

Painel de abertura do Enaex 2016

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Patrocinado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex 2016) teve início em 23 de novembro, no Rio de Janeiro, com uma mensagem clara: o caminho para o Brasil ser competitivo nos mercados internacionais é a redução dos custos internos. Exportar produtos e serviços, e não impostos e encargos, com o sobrepeso de custos logísticos proibitivos.

Na abertura do Encontro, José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), realizadora do evento, reforçou que, para reduzir custos, o País precisa realizar as reformas tributária, trabalhista e previdenciária, além de elevar os investimentos em infraestrutura, principalmente na área portuária. "Qualquer mudança depende de nós mesmos, sendo necessário um melhor entrosamento entre os setores privado e governamental para que não tenhamos que depender da taxa de câmbio para exportar, sobretudo manufaturados, e crescer", destacou José Augusto.

O presidente de honra da AEB e consultor econômico da CNC, Ernâne Galvêas, disse que o estímulo às exportações foi fundamental para que o País reagisse após a segunda grande crise do petróleo, na década de 1980. “Saímos de uma queda no PIB, em 1981, de 4,3%, para um crescimento de quase 8% ao ano em 1985, quando o presidente (João Baptista de) Figueiredo passou o governo ao presidente (José) Sarney”, lembrou Galvêas, então ministro da Fazenda. “O comércio exterior é um motor propulsor para criação de emprego, ampliação de mercado e desenvolvimento econômico.”

Simplificação e apoio

O vice-presidente Administrativo da CNC, Darci Piana, e o coordenador da Câmara de Comércio Exterior (CBCEX), Rubens Medrano, estiveram presentes à abertura do Enaex 2016. Piana destacou a importância do evento para o comércio exterior brasileiro. “O País precisa sair da crise e as exportações são fundamentais para isso. O que precisamos é da simplificação dos processos e do apoio do governo, para que nós, empresários, possamos cumprir o nosso papel, com empresas competitivas no cenário mundial”, afirmou.

Além de José Augusto de Castro e de Ernane Galvêas, também compuseram a mesa na solenidade de abertura o ministro interino do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Jorge de Lima; os embaixadores do Brasil  Sergio Amaral, nos Estados Unidos, e Marcos Caramuru, na China; o vice-presidente da Firjan, Carlos Mariani Bittencourt; o presidente da CNA, Antônio Mello Alvarenga; e o ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso.

 Globalização chegou a ponto de fadiga, diz embaixador

Durante o painel realizado logo após a abertura do Enaex 2016, intitulado "Estados Unidos e China: Mercados Especiais, Atenção Prioritária", o embaixador Sergio Amaral disse que a globalização chegou a um ponto de fadiga, tendo deixado de promover as compensações esperadas em termos de renda e emprego para as populações, o que explica em parte movimentos de isolamento e protecionismo, com o Brexit e a eleição de Donald Trump.

Para Amaral, ainda não é possível prever o que acontecerá no Governo Trump, e se as relações entre EUA e China serão conflituosas. "Ainda há uma incógnita sobre como será o Governo Trump. Os analistas políticos no momento viraram meros adivinhos. Trump terá de acender uma vela a Deus e outra ao Diabo.”

Sobre a relação norte-americana com o Brasil, Thomaz Zanotto, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Direx/Fiesp) e também da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), acredita que o Brasil pode ser afetado apenas indiretamente pela eleição de Donald Trump. “A retórica protecionista americana poderá limitar o crescimento do comércio global, mas não deverá haver nenhuma ação específica contra o Brasil ou mesmo contra a Argentina, ao contrário do México. Para os EUA, o Brasil é ‘non issue’ (uma ‘não questão’, ou seja, não representa um problema). Além disso, os EUA têm superávit com o Brasil, e, em termos de manufaturas, o comércio entre os dois países se dá ‘intracompany’ (entre filiais e matrizes de uma empresa)”, destaca.

Marcos Caramuru, embaixador do Brasil na China, e Carlos Geraldo Langoni, professor e diretor da EPGE/FGV e ex-presidente do Banco Central, também participaram do painel.

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