28 September, 2016

Política precisa atrair lideranças jovens e passar por reformas, diz relator da Constituinte

Bernardo Cabral, durante palestra sobre a realidade brasileira, na FGV

Crédito: Carolina Braga/CNC

Bernardo Cabral, durante palestra sobre a realidade brasileira: falta objetivo e grandeza histórica no cenário político

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A Escola Brasileira de Economia e Finanças (EPGE) da Fundação Getulio Vargas (FGV) recebeu, no dia 26 de setembro, o ex-ministro da Justiça e relator da Constituinte Bernardo Cabral, que apresentou para convidados e alunos do curso de Direito da instituição a palestra “A realidade brasileira atual e a imensidão do problema”. O evento foi realizado no auditório do edifício-sede da FGV, no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro.

Bernardo Cabral, que também é consultor da Presidência da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), abordou os atuais problemas econômicos e políticos que o Brasil atravessa, as consequências da crise e os desafios do governo para reverter esse quadro.

“Cabral possui uma trajetória de contribuição ao País, sempre demonstrando profundo amor e conhecimento sobre a nação brasileira”, afirmou o professor da FGV e membro do Conselho Técnico da Confederação Rubens Penha Cysne, ao apresentar o palestrante convidado.

Reforma política

Para o relator da Constituinte, o atual cenário político do País carece de novas lideranças e de oxigenação. “Em qualquer âmbito, a situação brasileira é imprevisível. Falta objetivo, grandeza histórica”, disse, ao analisar os fatos recentes da política. “A imensa crise política é muito grave. Nossos governantes não vislumbraram o tamanho do problema, cuja base se assenta em um brutal desequilíbrio fiscal”, analisou. De acordo com Cabral, a atual crise de representatividade brasileira seria resolvida se o presidente da República liderasse uma profunda reforma política, com o envolvimento de toda a sociedade.

“Não devemos fazer concessões com nossa consciência”, disse, para destacar que muitos problemas enfrentados hoje pelo País residem na estrutura pouco flexível do Presidencialismo. Uma reforma corrigiria distorções decorrentes do fato de que a Constituição Federal de 1988 foi elaborada com a expectativa da aprovação do sistema parlamentarista de governo, e o sistema escolhido acabou sendo o Presidencialismo. “Nosso sistema político está esgotado. Podemos melhorar a Constituição, adaptando-a às novas necessidades e realidades, mas sem demagogia”, advertiu. “O que falta aos comandantes de nosso país é espírito público. Primeiro os interesses do Brasil”, complementou, sendo muito aplaudido pela plateia, na qual estavam, entre outros, o presidente da FGV, Carlos Ivan Simonsen Leal, o vice-presidente da instituição, Sergio Quintella, além do ex-ministro da Fazenda Ernane Galvêas e o ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas.

Ao fim da palestra, Cabral respondeu a perguntas dos estudantes, interessados na experiência adquirida no exercício de diversas funções durante sua vida pública. Advogado desde 1955, o palestrante foi, entre outras funções e cargos, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de 1981 a 1983; relator-geral da Assembleia Nacional Constituinte (1987/1988); presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados (1989); e presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal (1997/1998 e 2001/2002), além de membro efetivo da Academia Internacional de Direito e Economia.

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