9 August, 2018

Economia Digital e Comércio Eletrônico

Reunião sobre "Economia Digital e Comércio Eletrônico" é realizada na CNC

Crédito: Paulo Negreiros - CNC

Medrano conduz evento que reuniu governo e empresários a fim de discutir o impacto da tecnologia no comércio brasileiro

Realizou-se, no dia 02 de agosto, na sede da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em Brasília, reunião de trabalho entre governo e empresários com objetivo de discutir desafios e oportunidades para o varejo e para o setor de serviços, frente ao crescimento e a consolidação da economia digital e do e-commerce.

Diante do tema “Economia Digital e Comércio Eletrônico”, entes públicos e representantes da iniciativa privada expuseram propostas na tentativa de que, junto ao governo, o desempenho do comércio eletrônico possa ser viabilizado de forma mais eficiente.

Segundo empresários, o atraso na evolução do tema para uma mudança definitiva nas vendas de produtos para outros países, o chamado crossborder, é assunto em permanente debate entre representantes do governo e da iniciativa privada.

Na reunião, conduzida por Rubens Medrano, diretor coordenador das câmaras brasileiras do comércio, e coordenador a Câmara Brasileira de Comércio Exterior (CBCEX) da CNC, o próprio disse: “Nosso interesse é que o comércio flua”.

Foram debatidos temas como: “Um varejo global por uma nova perspectiva”, apresentado por Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). Terra falou acerca da visão do setor privado. Ele apresentou dados atuais sobre a abertura de empresas fora do País: “Das grandes empresas do varejo internacionais, 250 operam fora do Brasil, e apenas 32 estão hoje operando, no varejo global”.

Segundo ele, “hoje, infelizmente, o crossborder acaba sendo uma ameaça ao comércio nacional, já que metade dos brasileiros compra on-line em outros países, e o Brasil não está preparado para isso.”.

Douglas Finardi, secretário de Comércio e Serviços do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (SCS/MIDC), reafirmou a importância da discussão do assunto, destacando o interesse do governo em desenvolver diálogos com a iniciativa privada, inclusive pontuando as posições do País nas tratativas de acordos internacionais.

Principais entraves ao Crossborder

Os empresários elencaram os principais entraves à competitividade, inovação, internacionalização e no crossborder:

Logística

Rafael Carneiro, gerente de operações do marketplace do “Grupo Datifi” (venda de produtos online) ressaltou as dificuldades de logística: “O que adianta você enviar seu produto com rapidez se o serviço de frete atrasa com frequência?”.

E o chefe do departamento de marketing de encomendas da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, Alex do Nascimento, explicou as adaptações realizadas pela empresa para atender à demanda com agilidade.

“Com as inovações de vendas tivemos que reorganizar a malha de distribuição; rever novas opções de entrega das encomendas; agregar tecnologias móveis. E ainda sofremos na questão da segurança. Estamos sofrendo assaltos, roubo de carga.”, complementou.

Burocracia no sistema atual de tributação

Houve pleito em relação à necessidade de realização da reforma tributária, sem entrar em detalhes quanto ao modelo.

François Martins, gerente de Relações Governamentais do “Mercado Livre” ; Vinícius Vieira , diretor de Estratégia do “Peixe Urbano”, e Rafael, do “Grupo Datifi”, representantes das citadas empresas de e-commerce (vendas online), falaram dos poucos avanços do comércio eletrônico brasileiro por conta de dificuldades como burocracia. “Exemplo disso é a emissão de muitas notas fiscais, que acaba por ocupar espaço das atividades produtivas, o que seria resolvido com a simplificação do sistema”, disseram.

Insegurança

A ‘VISA Empresarial do Brasil’ disse estar se adaptando para interceptar fraudes e sugere ao lojista uma ferramenta antifraude nas vendas e-commerce, informou Rodrigo Santoro. Ele apresentou dados sobre a forma como os brasileiros têm realizado suas compras: “Mais de 20% das compras dos brasileiros ocorrem em meios digitais e 5% dos gastos internacionais ocorrem pela internet”.

Barreiras Fiscais

Empresários pleiteiam ao governo revisão da regulamentação das barreiras comerciais, que impõem restrições ao comércio exterior, levando em conta a nova forma de comércio: tecnológico, acelerado e em expansão. Apontando como argumento o avanço industrial, dos transportes, a globalização, o surgimento das corporações multinacionais, o outsourcing (terceirização).

François Martins ressaltou: “Hoje o Brasil, apesar de ser a sétima ou oitava economia mundial, está muito atrás do mercado internacional”. Barreiras tarifárias e não tarifárias prejudicam o comércio internacional.

Entidades privadas e órgão públicos presentes

Participaram pelo setor público, o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (SAI/MPOG), Jorge Arbache; o secretário de Comércio e Serviços do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Douglas Finardi (SCS/MIDC); e a diretora do Departamento de Políticas para a Transformação Digital da Secretaria de Políticas Digitais do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Miriam Wimmer.

Pelos empresários: CNC; Associação de Franquias; CDL Rio (Sindilojas); Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos; Grupo Datifi; Imgresso.com; Mercado Livre; Peixe Urbano; Porto Digital; Sociedade Brasileira do Varejo e Consumo; Via Varejo; Visa Empresarial do Brasil.

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