5 October, 2017

Evolução do setor aéreo e desafios para o futuro

Crédito: Paulo Negreiros

Iniciativa privada e governo debatem como aumentar a eficiência, reduzir custos e estabelecer padrões internacionais na aviação

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Para desenhar um cenário para o futuro da aviação, os palestrantes do segundo painel do seminário Desafios da Aviação, abordaram como mudanças na regulamentação e as privatizações transformaram o cenário do transporte aéreo brasileiro, e os principais desafios para aumentar a eficiência, reduzir os custos e simplificar processos no segmento. O seminário foi promovido pela CNC, em parceria com a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (ABEAR), em 4 de outubro, em Brasília.

Roberto de Oliveira Luiz é diretor de Negócios Aéreos do Consórcio Inframérica, que administra os aeroportos de Brasília e de Natal, e faz parte da Corporation América S/A, maior operadora aeroportuária do mundo que opera 51 aeroportos. Ele falou sobre o trabalho realizado no Aeroporto Internacional de Brasília e as inovações trazidas desde o início da concessão, em 2012.

A Inframérica é responsável pela gestão e reformas do aeroporto de Brasília, que já foi pensado para ser o maior hub do País, ou centro de conexões, e hoje já são 42% dos passageiros oriundos de voos em conexão. “Duplicamos a capacidade do aeroporto, sem parar as operações, e foi o primeiro a operar com pista paralela e simultânea na América do Sul. Temos um índice de regularidade e pontualidade a níveis mundiais e é o único aeroporto que liga todas as capitais, além de 20 destinos domésticos”, afirmou o diretor da Inframérica. Não podemos ser um empencilho, temos que ser um motor para o desenvolvimento do transporte aéreo

Crise afeta o transporte aéreo

Os cerca de R$ 1,5 bilhão investidos pela concessionária no Aeroporto Internacional de Brasília já renderam prêmios, como o primeiro lugar em maior capacidade de pista do país (DECEA) e aeroporto mais pontual da América Latina e 4º mais pontual do mundo na categoria médio porte. Diante dos investimentos, Roberto apontou a preocupação com retomar o fluxo de passageiros, que de 2015 para 2016 caiu 9%, e em 2017 o aeroporto deve voltar aos índices de 2013. “Foi realmente um impacto financeiro muito forte, até porque veio num momento próximo ao investimento. Esperamos uma melhora para 2018, em relação a 2017, e esperamos que a economia se estabeleça para que justifique o crescimento do tráfego aéreo brasileiro”, disse Roberto.

O futuro é que sigamos crescendo e investindo, nosso investimento inicial foi focado no doméstico, agora queremos construir um novo pier internacional, porque acreditamos que Brasília será o segundo ponto no País para o trânsito mundial. Debates como esse são muito importantes para que saiamos do índice de cerca de 0.5 passageiros por habitantes para 1, ou 1.2 como ocorre em outros países”, afirmou.

Principais desafios

O diretor de Políticas Regulatórias da Secretaria Nacional de Aviação Civil do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MT), Rogério Coimbra fez um retrospecto do ponto de vista regulatório, desde a liberdade tarifária, iniciada na década de 1990, à criação da Anac em 2005, e ainda o processo de concessão de aeroportos (privatização) e o quanto essas transformações foram necessárias para o avanço do setor no País. “O processo de desregulamentação do setor de transporte aéreo resultou nessa explosão de crescimento. O cenário era bastante amarrado do ponto de vista regulatório”, lembrou Coimbra.

Um dos objetivos do ministério, nas palavras de Coimbra, é “universalizar” o transporte aéreo no Brasil, tornando-o acessível à população de uma forma geral. Segundo ele, antes do atual período de retração, trazido pela crise dos últimos dois anos, o setor aéreo cresceu por 11 anos a uma média de 12% ao ano, o que gerou os gargalos de infraestrutura, que foram solucionados com as privatizações. “A perspectiva é de retomada de crescimento”, afirmou.

Olhando para o futuro, Coimbra apontou a necessidades de trazer eficiência para o setor, estabelecer padrões internacionais e redução de custo para as empresas. “É uma indústria global, as atividades se dão em territórios de diferentes países, uma aeronave produzida no Brasil precisa voar no mundo inteiro e a homologação precisa estar de acordo com isso, um piloto que é certificado aqui vai pousar em outros países onde essa certificação é aceita. E isso vale de forma global para toda a regulamentação do setor, por isso é muito importante buscar essa padronização com as melhores práticas internacionais”, defendeu.

Para o representante do ministério do Trabalho, as inovações tecnológicas são essenciais, mas estarão a cargo principalmente das empresas aéreas, e para isso o governo precisa proporcionar o melhor ambiente pra investimentos, que passa pela redução de custos. A aprovação do PRS nº 55/2015, que propõe um teto no ICMS cobrado para o querosene da aviação, foi um exemplo citado. Ele falou ainda dos editais para a concessão de 14 aeroportos, que estão sendo preparados pelo Governo e citou outros pontos importantes de alteração na regulamentação, que segundo Coimbra “é uma das mais restritas do mundo e impedem o investimento”.

Novas tecnologias e hábitos de consumo

Para o gerente de campanhas da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), Paulo Costa, as novas tecnologias estão modificando o cenário do transportes aéreo, alterando o dia a dia das empresas e revolucionando a vida do viajante. “Na nossa época, o passageiro tinha que se submeter a um processo em que ele teria que ou comprar a passagem com uma agência ou na loja de uma companhia. Isso mudou radicalmente. O Brasil é o 3° País com passageiros mais conectados do mundo, o acesso a smartphones é universal, 1,13 para cada habitante, usuários de todas as idades e de todas as regiões”, afirmou Costa.

Entre os muitos exemplos de avanços tecnológicos citados pelo representante da IATA, desde os quiosques automáticos para Chek-in nos voos e que imprimem etiquetas de bagagem que podem ser impressas em casa. Outra tecnologia disponível é a possibilidade do passageiro imprimir etiqueta de bagagem em casa, que já é utilizada em empresas europeias (HPBT - home printed bag tag). “Mas existe uma tendência das pessoas não terem mais impressora em casa, o que pode diminuir o interesse por esta tecnologia”, afirma Costa. Já a Eletronic Bag Tag é uma etiqueta de mala, com um aplicativo, que possibilita mapear a rota da bagagem, desde quando a empresa aérea a recebe até a entrega no destino. “Sai o papel e fica somente a etiqueta, podendo ser utilizada em demais viagens, acompanhando a vida útil das bagagens”, explica. Mas as tecnologias baseadas na captura da biometria, utilizada tanto para leitura facial na realização do check-in, quanto no despacho de bagagem. “O passageiro faz tudo, a máquina já pesa a mala e dá até pra pagar o excesso com cartão de crédito. Todo o processo é feito com biometria, sem a necessidade de cartão de embarque”, disse o representante da IATA, concluindo que a tecnologia que mais será utilizada vai depender da adequação e aceitação de cada mercado.

Assista a transmissão do segundo painel:

Confira as imagens do evento:

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