30 August, 2017

Governo não deve ser obstáculo para os empresários do turismo

Crédito: Felipe Maranhão

Ministro do Turismo, Marx Beltrão, falou da importância do setor em seminário sobre cruzeiros marítimos, realizado na CNC

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A Cruise Line International Association Brasil (Clia Brasil) realizou, em 30 de agosto, o seminário Cruzeiros Marítimos: O momento é esse!, que reuniu representantes do governo e de entidades do turismo e do segmento marítimo, empresários, especialistas e parlamentares para discutir o atual cenário para os cruzeiros no Brasil.

O evento contou com o patrocínio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e foi realizado no auditório da entidade, em Brasília. “A CNC é a casa do trade turístico brasileiro. Atuamos firmemente no propósito de subsidiar as ações que o Ministério do Turismo tem feito e somos solidários a todo este processo político pelo desenvolvimento do setor”, afirmou Alexandre Sampaio, presidente do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da CNC na abertura do evento. “Tenho certeza de que esse será um dia de realizações e de grandes decisões, que podem fazer retomar a grandiosidade do segmento de cruzeiros marítimos, que é tão importante para o turismo nacional”, concluiu Sampaio.

O ministro do Turismo, Marx Beltrão, também na abertura do evento, falou sobre a importância do setor, ressaltando que esse momento é o primeiro na história do País em que o Turismo está sendo discutido na agenda do governo. “O turismo no mundo inteiro é um mercado competitivo, e o Brasil tem que levar o setor a sério, porque junto com o agronegócio, são os únicos setores com geração expressiva de empregos no País”, disse Beltrão.

A necessidade do diálogo entre políticos e empresários para alavancar o crescimento do setor também teve destaque na fala do ministro, que afirmou que o Poder Executivo não deve ser um obstáculo para os empresários. “O governo precisa tirar a burocracia da frente do caminho, andando de mãos dadas e dando condições para que os empresários realizem os seus investimentos”, afirmou.

Marx Beltrão também comentou sobre as principais ações do ministério para o desenvolvimento do Turismo, como o Programa Brasil+ Turismo, o processo de obtenção de visto eletrônico para alguns países, como Canadá, Austrália e Japão – o que agiliza o processo de retirada de visto por parte de turistas estrangeiros, e as discussões em torno da abertura de capital para as companhias aéreas brasileiras.

Sobre o setor de cruzeiros marítimos, Beltrão apontou algumas ações para diminuir os custos das operações marítimas no Brasil, como a regulamentação da Lei da Migração, que, segundo ele, deve ser feita em novembro. A lei define que os marítimos dos navios que circulam pelo Brasil não precisarão mais de vistos para exercer a sua atividade. Com isso, segundo o ministro, deve haver uma redução de até R$ 500 mil nos custos de operação dos navios.

Outras ações dizem respeito à infraestrutura de portos e a concessão de licenças par ampliar o número de marinas no Brasil. “A costa brasileira tem a possibilidade de se transformar em um novo Caribe, se fizermos o nosso dever de casa corretamente”, finalizou Marx Beltrão.

Brasil na contramão do crescimento do mercado de cruzeiros

Rene Hermann, presidente do Conselho da CLIA Brasil, falou na abertura que o mercado de cruzeiros marítimos está tendo um crescimento em todo o mundo, porém, o Brasil está indo na contramão. “Países que não faziam cruzeiros estão entrando no mercado. A China já tem 60 navios operando, e a Austrália tem 36”, disse Hermann, que acrescentou ainda que o Brasil atualmente tem apenas sete navios em operação, contra 20 em 2011.

Além disso, o Brasil passou de 800 mil passageiros para menos de 350 mil, entre 2011 e 2017. Segundo Hermann, a América do Sul representa 2,5% do mercado de cruzeiros no mundo, contra 38% do Caribe. Apesar disso, o segmento gerou R$ 6 bilhões de faturamento nos últimos anos. “O turismo emprega um em cada dez trabalhadores no mundo. Só o nosso segmento emprega um milhão de pessoas no Brasil”, enfatizou Rene Hermann.

Vinícius Lummertz, presidente da Embratur, também endossou a importância do turismo como gerador de empregos e destacou o papel dos empresários no desenvolvimento do País. “O Turismo está deixando de ser sinônimo de uma atividade de lazer e virando uma grande potência econômica no Brasil e no mundo. Empreender tem que ser não apenas possível, como um valor estimado pelo governo”, afirmou. “São muitos os desafios, mas o turismo vai ter um papel diferenciado nos anos que vierem, o que aumenta ainda mais a nossa responsabilidade”, finalizou Lummertz.

Também participou da mesa de abertura o diretor geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Adalberto Tokarski, representando o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella.

O seminário Cruzeiros Marítimos: O Momento é esse abordou ao longo do dia diversos assuntos, como a indústria de cruzeiros no Brasil e no mundo, os desafios da regulação da atividade de Praticagem, vigilância na operação de navios e cruzeiros, infraestrutura portuária e terminais de passageiros, destinos turísticos e receptividade, entre outros temas. A Clia Brasil é membro efetivo do Cetur/CNC.

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