Materiais de Construção

As lojas de materiais de construção representam o terceiro maior segmento do varejo em número de empresas, constituído por quase 270 mil pequenas lojas em todo o Brasil. Após uma forte expansão do consumo familiar na última década, em razão da elevação da renda e da facilitação do crédito para melhoria habitacional, atualmente, toda cadeia da construção civil está sendo bastante impactada pela crise. Hoje, o varejo de material de construção entrou em nova fase após a desaceleração da economia do país a partir de 2014. O segmento de materiais de construção, que é fortemente dependente do desempenho da economia, é um dos segmentos mais atingidos pela desaceleração. Muito embora a retração no mercado imobiliário e na indústria da construção civil favoreça a reforma em imóveis usados, o ambiente atual é bastante competitivo e tem exigido cada vez mais gestão empresarial. As grandes lojas de material de construção, também conhecidos como "Home Center", conseguem obter melhores preços e oferecer melhores condições de pagamentos aos clientes, devido ao seu grande poder de barganha. Com grande investimento em publicidade e promoções de itens isolados, estas lojas conseguem atrair muitos clientes e podem ser consideradas concorrentes diretos, pois agregam em um único lugar do básico à decoração.

Estudo realizado pela Divisão Econômica da CNC a partir de dados do IBGE revelou que o comércio varejista de materiais de construção recuou 0,8% em agosto/2019, após elevação de 0,7% em julho. Contudo, mesmo com essa queda pontual, o setor cresceu 3,6% no acumulado do ano até agosto, e 2,9% nos últimos 12 meses terminados também em agosto. Para 2019, o carregamento estatístico dos resultados já realizados leva a uma alta de 2,8%, caso não haja oscilações nos próximos meses.

Em relação ao mercado de trabalho do setor, a maior parte (87%) dos funcionários está concentrada no comércio varejista. Somando com o comércio atacadista, são 832.803 pessoas ocupadas em agosto de 2019, um número 0,7% maior do que ao final de 2018.

Outro indicador importante, o índice nacional de custo de materiais e serviços da construção, chegou a 0,26% em setembro, acumulando uma inflação de 2,67% no ano, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Considerando que o indicador terminou 2018 com taxa de 6,06%, o resultado deste ano mostra uma redução no custo de materiais e serviços da construção.

O segmento da construção civil, que está fortemente relacionado a materiais de construção, e é um dos itens analisados para o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB – a soma das riquezas do País), apresenta, desde 2014, resultados negativos, chegando ao ápice com uma queda de 10% em 2016. “Desde então, o recuo vem desacelerando, com taxas de -7,5%, em 2017, e -2,8%, em 2018.”

A projeção do Relatório de Inflação do Banco Central indica que a construção civil deve crescer 0,1% em 2019, após cinco anos de queda. No primeiro semestre de 2019 houve uma retração de 0,1% nessa atividade, porém no segundo trimestre houve um crescimento de 2% frente ao mesmo período do ano passado. Esse foi o primeiro resultado positivo após 20 trimestres de queda, sugerindo uma recuperação para os próximos trimestres e, consequentemente, um segundo semestre otimista.

Com um comércio com venda positiva no acumulado do ano, aquecimento no mercado de trabalho, nível mais baixo de preços e a construção civil com sinais de melhora, o setor de materiais de construção deve ter um crescimento real.